Sim, camarada, é hora de jardim e é hora de batalha, cada dia é sucessão de flor e sangue, nosso tempo nos entregou amarrados a regar os jasmins ou a dessangrar-nos numa rua escura, a virtude ou a dor se repartiram em zonas frias, em mordentes brasas, e não havia outra coisa que eleger, os caminhos do céu, antes tão transitados pelos santos, estão hoje povoados por especialistas. Já desapareceram os cavalos. Os heróis vão vestidos de batráquios, os espelhos vivem vazios porque a festa é sempre em outra parte, onde já não estamos convidados e há briga nas portas. Por isso este é o penúltimo chamado, o décimo sincero toque do meu sino, ao jardim, camarada, à açucena, à macieira, ao cravo intransigente, à fragrância da flor de laranjeira, e logo aos deveres da guerra. Delgada é nossa pátria e em seu despido fio de faca arde nossa bandeira delicada.