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Mostrando postagens de Julho, 2007

Sobre a Trindade - Leonardo Boff

A teologia restringiu-se, normalmente, à reflexão formal sobre o mistério da comunhão trinitária. Procurava-se penetrar racionalmente no sol ofuscador que é a própria essência do Deus trino. No termo desta diligência está o silêncio respeitoso. Toda falta que ultrapassar as barreiras da percepção do mistério se transforma em tagarelice e gera o sentimento de profanação do Sacrossanto. Assim é a situação humana quando confrontada com a Trindade imanente. Se não podemos nem devemos falar; podemos, entretanto, cantar e louvar. Cesse a razão, ganhe asas a imaginação. Foi assim que fizeram os místicos a quem foi dada a graça de intuírem a convivência trinitária. São três distintos, como que desembocaduras de três caudais sem margens formando um só oceano de vida e amor. São três olhares distintos constituindo uma só visão. A autodoação de um ao outro, o conúbio dos Três num só amor porduz glória e alegria sem fim. O fluxo e o refluxo, a diástole e a sístole dos divinos Três se interpenetra…

Um poema de Pablo Neruda

Sim, camarada, é hora de jardim e é hora de batalha, cada dia é sucessão de flor e sangue, nosso tempo nos entregou amarrados a regar os jasmins ou a dessangrar-nos numa rua escura, a virtude ou a dor se repartiram em zonas frias, em mordentes brasas, e não havia outra coisa que eleger, os caminhos do céu, antes tão transitados pelos santos, estão hoje povoados por especialistas. Já desapareceram os cavalos. Os heróis vão vestidos de batráquios, os espelhos vivem vazios porque a festa é sempre em outra parte, onde já não estamos convidados e há briga nas portas. Por isso este é o penúltimo chamado, o décimo sincero toque do meu sino, ao jardim, camarada, à açucena, à macieira, ao cravo intransigente, à fragrância da flor de laranjeira, e logo aos deveres da guerra. Delgada é nossa pátria e em seu despido fio de faca arde nossa bandeira delicada.

T.S. Eliot

Embora a senda seja lenta e tortuosa,
Embora se crispe diante de mil temores
Ao olho crédulo da juventude ela parece
Uma vereda onde florescem o pirilteiro e a rosa.
Esperamos que assim seja; pudéssemos sabê-lo!
Pudéssemos contemplar os anos vindouros.

O Milagre da Restrição

O Milagre da Restrição
Fazer milagres para Jesus não representava um desafio! O maior desafio para Cristo era não fazer milagre. Isto realmente era o Milagre.
Jesus foi 100% Deus e 100% homem, como dizem os teólogos. Transformar pedra em pão, lançar-se num abismo para ser acudido, tirar água da rocha, tudo isso era possível para Jesus. Mas para Cristo não estava em questão se ele era divino, mas em sendo divino poder ser humano!
Lançar mão das prerrogativas divinas como um atalho para a sua missão representava uma grande tentação para Jesus. Ele próprio enxergou assim! Segundo Philip Yancey

(...) na ausência de testemunhas oculares, todos os pormenores devem ter vindo do próprio Jesus. Pelo mesmo motivo, Jesus sentiu-se obrigado a revelar aos discípulos esse momento de luta e de fraqueza pessoal. Creio que a tentação foi um conflito genuíno, não um papel que Jesus representou com um resultado predeterminado. O mesmo tentador que encontrou um ponto fatal na vulnerabilidade de Adão e de Eva…