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Mostrando postagens de 2006

No afã de provar o seu amor a Deus o homem deixa de provar o amor gratuito de Deus!

Deixa o Pai te amar

Correria atrás do vento
Pra ganhar um pouco mais
Planta, colhe, junta sempre...
Nem o Globo satisfaz!

Minha alma, o tempo urge
E de fugir é seu viver
Mas tua vida, amiga, é outra:
Sossegar nas mãos de Deus!

Deixa o amor de Deus se aproximar
Para, cala e sente o seu olhar
És o bem amado seu
Alvo da paixão de Deus
Deixa o Pai querido te abraçar

Nada mais precioso a procurar
Segue o teu caminho e goza o bem
Não há nada a fazer
Pra ganhar o seu favor
Deixa o Pai querido te abraçar

O prazer é cultuado
Ser feliz e nada mais
Ser querido a qualquer preço
É a demanda secular!

Minha alma, o mundo pesa
E de pesar é seu viver
Mas tua vida, amiga, é outra:
Pela Graça salva ser!

"Nossa alma andará inquieta até um dia encontrar repouso em Ti". (Santo Agostinho)

Enseada do Desejo

Nas vielas da alma
vai errante o mortal
confundido no desejo
embotado no saber
tudo come, tudo bebe
e em jejum está o ser!

Alça vôo rasteiro
pro infinito alcançar
e se casa com estrelas
distraído no olhar
tudo compra, tudo guarda
e falida a alma está!

Somos todos atraídos pelo Imã do Amor –
o motivo dessa Busca que não tem outro Fim
Perderemos toda a força se outro rio nos levar
se na Foz da Vida nossa vida não desaguar

A saudade da Pousada nos instiga a navegar
Cristo já traçou o Mapa e o Caminho Ele se fez
Se olharmos em suas faces terra à vista vamos ter:
a Enseada do Desejo de todos nós!

Lógico: para um Deus indizível, impronunciável, incategorizável, amor pródigo e graça desmedida!

Esdrúxulo

Lógico!
O sentimento divino trai a
Lógica:
Rasga o espaço e o tempo –
Metafísica
E se mistura com a raça de homens
Sórdidos

Cúmplice.
Come e bebe à mesa com os
Trôpegos
Vive de um jeito bonito e
Poético
Fala e cura e vê com amor
Inédito!

O Amor de Deus é pródigo
E rima rico no perdão
A sua Graça é ilógica
E se antecipa a toda ação!

Lúgubre:
Sente o cheiro da morte em
Getsêmani
Sofre traição, abandono e bebe o
Cálice!
Morre na cruz o Senhor da vida.
Trágico!

Cômico!
Quem lamentou sua morte riu por
Último
Pois no domingo da Páscoa veio
Incólume
Cristo estancou de uma vez da morte o
Tráfego!

A fé que caminha mesmo no escuro de evidências, na ausência de manifestações; a fé onde Deus basta e o milagre é viver sem milagres!



Quero ter fé
Bem mais que os olhos podem ver
Que fica em pé
Na ausência de sinais
Não tem por pão
A evidência e a emoção
E sim a voz
Do Amado Mestre

Fé que não fica ressentida
Se seu pedido não vingou
Fé que confia no caráter de Deus

Fé que acredita contra as provas
Que o Pai habita entre nós
E que enxerga o seu amor
Mesmo quando não há luz

É bom saber
Que em todo tempo
Estás comigo, Senhor!
Nem mal, nem dor
Nem sombra-morte
Vai me afastar de Ti, Jesus!

O QUE VIBRA EM MIM

Eu sei desse calafrio na minha alma que põe tudo em arrepio
os meus poros dilata
acelera o meu pulso
incha as minhas veias
e adestra os meus pés para o percurso
Sei da ebulição nas minhas entranhas que evapora à eternidade
que com nada menor se satisfaz
e por me deixar descontente
rumo à excelência me coloca
Conheço a fragrância que foge
que persigo e não retenho
que sopra quando e onde quer...
...esse gosto do bem que vai e volta, memoriando e recordando!
Sei da sede de beleza que me faz Caeiro –
o poeta das sensações –
e me aproxima do vinho, do poente sol,
do jasmim, da música e poesia
e então só sei o que sinto...
Sou desconceituado e silenciado e feliz!
Tenho a ciência de quem põe a voz em mim a gritar
inquieta, revoltosa, subversiva clamando por justiça e salvação
Sei de quem reverbera em mim com todas as freqüências
em enésimos decibéis, ondas e ecos
desde o ponto atrás da primeira luz
depois da linha fina do horizonte que não se vê
a Enseada da soma dos desejos de todos os homens
onde mora o silêncio,…

O Mestre da Palavra

Jesus é o mestre das palavras. Usa-as como ninguém: metáforas, parábolas, hipérboles, ironias... Ele é o próprio Verbo que estava no princípio, fez-se carne e morou entre nós!
Fico admirado com as sacadas que Jesus tem nos seus encontros com as pessoas e seu discernimento quanto ao uso da palavra.
No encontro com a mulher do poço Jesus usa as palavras mais adequadas: “água da vida”, “beber”, “saciar”, “sede”, e assim redireciona a sede física da mulher (de água e de intimidade) para a sede espiritual.
No capítulo 6 de João o Mestre usa as palavras “fome”, “pão”, “comida” quando o interesse da multidão era o pão material. Assim, numa rítmica pulsante cheia de arte, Jesus conduz os ouvintes à necessidade do Pão que dá vida.
Na cura de um cego de nascença (Jo 9) o Poeta Maior usa as expressões “luz do mundo”, “cegos vejam”, “...os que vêem se tornem cegos” como metáfora de uma realidade que tem outros olhos... (“o essencial é invisível aos olhos!”).
Enfim, as imagens criadas por Jesus, os tro…

Eternidade

Eternidade

Ó Eternidade que mora dentro de mim,
de que era vem, qual civilização e a que horas?!
Quem foi o seu fiador,
por que de mim se agradou, Inquilino Atemporal?
Como vai pagar o aluguel de tantos anos que nem sei?
E como se não bastasse a inadimplência,
a morte que me faz sentir
quando minha obra imperfeita,
minha vida contingente e minha caça apaixonada
ficam sempre aquém do seu Ideal...!
Mas, afinal de contas, quem deve a quem?
Você mora em mim ou eu moro em você, Eternidade?
Se eu moro em você, esse preço é muito alto:
estar sempre descontente –
(Você já soprou em Pessoa: “descontente é ser homem”);
estar sempre caçando;
cheirando esse cheiro do místico que me traz lembranças de casa, do jardim, do útero...
Não, Eternidade!
Sou mortal e isso não suporto!
Mas se mora em mim por que essa ansiedade,
a sede de transcendência, de intimidade com o Invisível...?
Por que não me paga justamente?
Não teria outro valor
ou esse é o valor que a mim deve pagar
se é que em mim habita?!
Estou cansado com essa Febre.

Deus não tem receio de macular sua reputação se relacionando com o homem. Ele não deixa de ser o que é convivendo com aquele que só pode ser nEle!

Altaneiro e Compassivo

Quem vive antes do sol existir
atrás da vida, da água e do ar e pode se bastar?

Quem teve a idéia num Ateliê
de transformar o informe e o caos num jardim?

Quem tem morada no além do saber
e jorra fôlego, cor e calor em toda amplidão,

mas por amor resolveu se inclinar
e da lareira a brasa deixar
e se despir de todo o elevado glamour;
chegou mais perto do homem de dor.
serviu de abrigo e um novo caminho lhe mostrou?

Deus altaneiro
que vai aos limites da eternidade;
Deus compassivo
que vem às ruínas da humanidade!

"Pureza de coração é desejar uma única coisa" (Sören Kierkegaard). Inspirado nessa verdade escrevi esta canção.

O Único Necessário

Venha lapidar o meu querer
possa meus desejos converter
já sei o que pra mim é elementar
mas luto contra o mal que perto está!

Muitas são as fontes pra beber
que distraem o meu interior
de todas essas quero me abster
- suspira o meu ser pelo Senhor!

Tu és o meu único Desejo
realmente nobre e necessário
o jejum de ti é imprudência
o seu rumo encontra a falência

És Jesus, o Pão que me dá Vida
Água que da Sede me sacia
o Endereço certo da chegada
Casa boa pra minha pousada!

Na versão de André Chouraqui o Salmo 65.1 é traduzido assim: “Para ti, o silêncio é louvor..." Aqui uma bossa nova para silenciar!

Silenciar

Desacelera no teu coração o ritmo
sossega na presença de Jesus
Desacelera do compasso deste século
e escuta o sussurro do Senhor

Larga todo o controle que insistes em carregar
obedece à dinâmica do teu viver
e verás que fazer música também é pausas usar
e verás que adorar também é silenciar

Nesta poesia coloquei apenas alguns dos meus eus!

Ser ou Seres

Ser plenamente eu.
Cosmopolitamente.
Dilatado, compacto, coletivo.
Líquido, sólido e gasoso.
Ser o que não posso ser em outro lugar
O que desisti de ser
o que sonhei ser e fracassei
O que não quis ser e me consolei
Ser o que não posso ser
Ser o que serei e ser hoje
Em todas as partes e de todas as formas
ser o quanto suporto
o quanto existe, o quanto me caibo
- Uma praia de existência!
Ser o que escolho, o que me escolhem
ressiginificando, adequando, revoltando...
Ser do outro e de mim
a partir de mim e do outro
Ser original e plagiador
Com vários olhos, lentes e biografias
lançando mão de todos os léxicos,
enciclopédias, jornais e revistas
Ser todos os poetas, músicos, romancistas
teólogos, filósofos, historiadores, educadores
em ebulição dentro de mim
Ser de todas as tribos, raças e exércitos
ser do globo e do meu quintal...

...É a licença da poesia
a arte da esquizofrenia!

Esta música em 7/4 pretende inspirar uma leitura da Bíblia com mais imaginação!

Casa da Imaginação

Ouça a Voz
após as letras
Ouça atrás
e mais que as linhas
Ouça além
lá bem no fundo
o que diz nas entrelinhas

Soa o quê
se lê uma frase?
Tem um tom
e som e imagem
ou é só
o pó de sempre
sem quimera e nem saudade?

Vá à Casa da Imaginação
conduzido pelo Verbo
e visite à cena, espaço e cor
emprestados pelo Mestre

Trocadilhos e parábolas
verso em prosas e metáforas
Sua Voz não quer perdida
num papel impresso e lida
quer vibrar no corpo inteiro
Ouça quem tiver ouvidos!

Vá à Casa da Imaginação...

Esta é uma bossa nova cheia de desejo pela Realidade Última!

Desejo

De onde vem esse Eco mensageiro anos luz?
De carona na brisa
Dá um beijo em meu rosto e se vai...

Qual sabor agridoce é o gosto desse bem
Que me inclina pro Belo, amizade e amor
Faz de mim colibri, um poeta e cantor
Quando foi o start da força que arde em mim?

E esse cheiro gostoso que acabo de sentir
Semelhante a folhagem
Do jardim de um lugar do além...

E a saudade que aperta o meu peito aqui e ali
E me lembra a Viagem que estou a fazer
O Endereço, quem é, onde está, é o que?
Peregrino eu sou e o Repouso desejo encontrar...

E essa fome que há em meu peito a gritar
De que pão será? Onde posso comprar?
E a alma a dizer que precisa beber
De outra fonte, a Água da Vida

Creio que é tudo indicação, sugestão
De um Desejo mais nobre do ser
Que não encontra na terra satisfação

Sede de Alguém que nos fez e quer bem
nEle mora o sentido do ser e existir
Ele é o Criador que de nós se aproximou, é Jesus!