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Mostrando postagens de 2015

Sobre versões originais a respeito de Deus.

Percebi algo na relação fãs - artistas que reflete a tendência da grande maioria de cristalizar conhecimento, congelar versões e endeusar dogmas. A primeira versão de um intérprete/cantor é recebida como "versão original" - o que já é uma sina. Para os fãs essa versão é incorrigível, definitiva e insuperável. Mas não somente a versão que por vir a fazer um outro intérprete da mesma obra é mal vinda. Se o mesmo intérprete ousa fazer uma nova gravação de sua versão original, variando no andamento, melodia, frases rítmicas os fãs o criticam. O que acontece? Os fãs se afeiçoam de tal maneira à "versão original", que ousam limitar a cosmovisão, a imaginação e liberdade do artista! É quando a obra fica maior do que o artista, negativamente falando! Ora, não peça a um artista que ele reproduza, que seja um genérico de si mesmo. Uma ofensa imperdoável. Penso que essa tendência também se evidencia nas relações: "eu não te conheci assim!", "você mudou, hein!&…

A Palavra

Não subestime uma palavra. Uma palavra não é apenas uma palavra. Uma palavra são vários combinados. Além de sentidos, uma palavra é som/música que diverte tantas crianças – onomatopéia, embeleza o texto e a poesia e corteja os amantes. Uma palavra é uma imagem - “janela”; um afeto - “casa”; um cheiro - “jasmim”. Uma palavra é uma cultura. Uma história. Uma palavra são emoções. A palavra é uma arma – disputa de poder, egos e vaidades. Uma violência emocional. A palavra é uma sentença, um preconceito. Um pedido de socorro, uma despedida. Um desnudar-se. Uma palavra é um beijo. Um amor. Uma palavra é uma esperança. Uma palavra é um universo. Uma vida. Um silêncio... Uma palavra tem cor, calor e textura. A palavra é Deus encarnado. Toda palavra que humaniza é divina. A palavra, onde estiver - artes, ciências, religião - que me reivindica responsabilidade, que inspira a vida, que se empresta para cantar as contradições e dramas humanos, que planta esperança é de caráter divino.
“A Pa…

Minha homenagem e gratidão aos poetas!

O poeta é um cristo que morre sem fazer ideia da repercussão das suas palavras. 

A despeito disso, sai a semear palavras generosamente. Profusão de sementes. Porque a esperança do poeta não é a glória, mas a sua vocação. O fazer poético é já a glória. No tempo do cio poético ele faz amores. E esses amores transcendem sua expectativa, o seu objeto, o mercado e o tempo. A poesia é maior que o poeta.

Como canta Milton Nascimento, os poetas “fazem quatrocentos mil projetos, projetos, projetos/ que jamais são alcançados, cansados, cansados/ nada disso importa enquanto eles escrevem, escrevem/ escrevem o que sabem que não sabem/ e o que dizem que não devem.”

O poeta não percebe, mas está polinizando a vida com palavras e imagens, ventilando ideias com sons, fazendo terapia com símbolos, antecipando o futuro com metáforas, promovendo encontro com o sagrado.

O poeta é um utópico, profeta e sacerdote. Morre mudo e muitas vezes sem fé, mas não sem ter amado e prestado atenção à vida.

A m a r a m a n d o

A m a r a m a n d o

A Mara amando Inventa um mundo bom Onde cabe toda gente E não entra a perfeição Ama mais e espera menos Não sem angústia e pesar
Há mar amando Há janelas, horizontes e sóis Mais beijos e abraços Ouro, trigo, vinho e mel Nova folha, cor e pincel Licença do perdão
Amar amando No gerúndio teimoso Contra o ego e preguiça Ainda que seja feio e pouco É o amor o remédio Para a loucura e o tédio
Amar a mando Não do Livro e das leis Dos anjos e do Divino O amor é generoso A dor do outro é o apelo Ao amor que é a sua cura
Confira o vídeo - https://www.youtube.com/watch?v=O30WUuMtX_Y

O amor é maior do que a fé

Há uma história no livro de Gênesis que é um retrato da saga humana. A história de Hagar e seu filho Ismael, cujo pai é Abraão. Como Sara, mulher de Abraão não podia dar a luz, teve a ideia de usar Hagar como “barriga de aluguel” para resolver o problema da descendência de seu marido. Isso gerou muita confusão na casa do patriarca.
Hagar fugiu para o deserto pela primeira vez, mas voltou para a casa de Abraão. Depois de 14 anos, Sara, milagrosamente, deu à luz a Isaque. Confusão sobre confusão, pois agora não somente as mulheres disputavam, mas também os filhos, o que fez Sara coagir Abraão a expulsar a escrava com seu filho.
Hagar e Ismael vão para o deserto pela segunda vez. Mas agora acaba o pão e a água e a fé e força para viver. Hagar se afasta de seu filho para não o ver morrer e começa a gritar e a chorar.
No meio de sua crise, gritos e soluços, Hagar ouve a sugestão divina “levante-se, pegue seu filho e abrace-o!”. É o que faz Hagar: aperta o menino contra seu peito e então a vid…