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Sobre a Trindade - Leonardo Boff

A teologia restringiu-se, normalmente, à reflexão formal sobre o mistério da comunhão trinitária. Procurava-se penetrar racionalmente no sol ofuscador que é a própria essência do Deus trino. No termo desta diligência está o silêncio respeitoso. Toda falta que ultrapassar as barreiras da percepção do mistério se transforma em tagarelice e gera o sentimento de profanação do Sacrossanto. Assim é a situação humana quando confrontada com a Trindade imanente. Se não podemos nem devemos falar; podemos, entretanto, cantar e louvar. Cesse a razão, ganhe asas a imaginação. Foi assim que fizeram os místicos a quem foi dada a graça de intuírem a convivência trinitária. São três distintos, como que desembocaduras de três caudais sem margens formando um só oceano de vida e amor. São três olhares distintos constituindo uma só visão. A autodoação de um ao outro, o conúbio dos Três num só amor porduz glória e alegria sem fim. O fluxo e o refluxo, a diástole e a sístole dos divinos Três se interpenetran...

Um poema de Pablo Neruda

Sim, camarada, é hora de jardim e é hora de batalha, cada dia é sucessão de flor e sangue, nosso tempo nos entregou amarrados a regar os jasmins ou a dessangrar-nos numa rua escura, a virtude ou a dor se repartiram em zonas frias, em mordentes brasas, e não havia outra coisa que eleger, os caminhos do céu, antes tão transitados pelos santos, estão hoje povoados por especialistas. Já desapareceram os cavalos. Os heróis vão vestidos de batráquios, os espelhos vivem vazios porque a festa é sempre em outra parte, onde já não estamos convidados e há briga nas portas. Por isso este é o penúltimo chamado, o décimo sincero toque do meu sino, ao jardim, camarada, à açucena, à macieira, ao cravo intransigente, à fragrância da flor de laranjeira, e logo aos deveres da guerra. Delgada é nossa pátria e em seu despido fio de faca arde nossa bandeira delicada.

T.S. Eliot

Embora a senda seja lenta e tortuosa, Embora se crispe diante de mil temores Ao olho crédulo da juventude ela parece Uma vereda onde florescem o pirilteiro e a rosa. Esperamos que assim seja; pudéssemos sabê-lo! Pudéssemos contemplar os anos vindouros.

O Milagre da Restrição

O Milagre da Restrição Fazer milagres para Jesus não representava um desafio! O maior desafio para Cristo era não fazer milagre. Isto realmente era o Milagre. Jesus foi 100% Deus e 100% homem, como dizem os teólogos. Transformar pedra em pão, lançar-se num abismo para ser acudido, tirar água da rocha, tudo isso era possível para Jesus. Mas para Cristo não estava em questão se ele era divino, mas em sendo divino poder ser humano! Lançar mão das prerrogativas divinas como um atalho para a sua missão representava uma grande tentação para Jesus. Ele próprio enxergou assim! Segundo Philip Yancey (...) na ausência de testemunhas oculares, todos os pormenores devem ter vindo do próprio Jesus. Pelo mesmo motivo, Jesus sentiu-se obrigado a revelar aos discípulos esse momento de luta e de fraqueza pessoal. Creio que a tentação foi um conflito genuíno, não um papel que Jesus representou com um resultado predeterminado. O mesmo tentador que encontrou um ponto fatal na vulnerabilidade de Adão e de ...

UM OUTRO OLHAR PARA ADORAÇÃO

Toda confusão com relação à natureza e caráter do louvor e da adoração, na igreja evangélica brasileira, acontece por desvios teológicos. Intenções mercadológicas, sedução pelo poder, espírito messiânico, a cultura do “control c”, as letras desconectadas da vida e/ou egocêntricas, apelo forte às emoções têm origem em interpretações equivocadas das Escrituras (ou na má fé, descaradamente!). Percebo que, principalmente nos ambientes pentecostais, há muita resistência à reflexão, à razão, como se o uso da inteligência e intuição fosse prática demoníaca. Devido a isso temos vários movimentos de louvor e adoração sem fundamento e consistência, levados muito mais pelos sentimentos e sensações, do que pela Verdade do Evangelho. Vemos uma geração mais interessada em sentir a presença de Deus do que em obedecer à sua voz. O exercício do conhecimento na adoração é imprescindível. Lembremos do que Jesus disse à mulher samaritana: “Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem ; nós adoramos o que...

HORIZONTES - Uma poesia de Fernando Pessoa

Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Splendia sobre as naus da iniciação Linha severa da longínqua costa - Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstrata linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade.

A MELHOR DEFINIÇÃO SOBRE DEUS (POR ELE MESMO)

Os laboratórios da ciência são cada vez mais visitados, inflamados, instigados. Não é para menos já que o homem tem a capacidade de se superar, questiona seus paradigmas, desafia as leis e manipula a vida. Na prancheta do cientificismo tudo deve ser analisado e categorizado; tudo meticulosamente estudado, testado, aprovado, carimbado e fichado. À era do conhecimento nem Deus escapa! Não são poucos os que teimam colocar Deus num tubo de ensaio ou reduzi-lo a uma fórmula matemática; que insistem sistematizar o Criador, seus atributos, suas ações e sentimentos como se ele fosse um corpo inerte na cama de um laboratório encharcado de formol pronto para ser dissecado. Porque é necessário um discurso forte, cartesiano vale tudo em nome das convicções impressas, verdades exatas redigidas. Até fazer Deus menor! Os discursos sobre Deus são consistentes, cheios de certezas, passionais, tendenciosos, bem fundamentados na ortodoxia imutável, com todas as referências bíblicas possíveis para emudece...

Socorro

Rasguei minha boca pedindo socorro. Estavam distraídos: Engodados em seus vícios defendendo suas terras suas idéias argumentando guerreando suas guerras e o país demarcando. Intolerantes com os fracos aos gemidos, insensíveis ao sangue da chacina daltônicos Indobráveis à flor e ao amor, cientistas! Cultuavam seus deuses à sua imagem adorando a si próprios Ultra-homens com poder de fogo e glória nas mãos incapazes da ternura nos olhos e a fragilidade na cruz Expostos à vitrine compravam a moda vestiam a vaidade, esbanjavam moeda Isolavam-se uns dos outros virtualmente, amigavelmente Enchiam-se do supérfluo e do superficial e apesar do entretenimento e do ofício andavam ansiosos, vagos e vazios... Pagavam seus médicos e entorpecentes Viviam morrendo, rasgando suas bocas pedindo socorro e não os ouvia...

GARIMPANDO PALAVRAS – carta aos jovens compositores

Das vezes que sai à procura de CD´s evangélicos foi só para a minha tristeza e decepção. Claro que encontrei trabalhos com beleza, rebuscados, inovadores, mas em maior proporção encontrei trabalhos feios, de extremo mau gosto e em nada comprometidos com a arte. É teimosa a mania dos evangélicos de clonar; a cultura do “Ctrl c”; bater na mesma tecla, tema, expressões, melodias, ritmos que chega a saturação! A maioria dos compositores usa expressões e palavras mais que batidas, sem nenhuma inovação e contribuição para o nosso repertório. A impressão que me dá é que essas criações são feitas de qualquer jeito, numa sentada só. Não consigo imaginar esses compositores quebrando a cabeça; burilando as expressões; garimpando palavras; consultando dicionários; corrigindo ortografia, concordância, prosódia; “brigando” no processo criativo; rabiscando alguns papéis, jogando outros; caminhando para dar vazão ao insight, deixando o tema assentar no coração. O resultado são trabalhos muito semelhan...

Quando o belo ofusca o Belo

Os momentos de louvor comunitário em nossos dias andam cheios de enfeites: instrumentos dos mais diversos, corais, orquestras, coreografias, luzes, palco, figurinos, sonoplastia, pinturas, desenhos... Enfim, todas as artes no momento da adoração ao Rei. É bem verdade que estamos devendo muito com relação ao conteúdo, mas esta é história para outro artigo! Em todo caso os dirigentes da música na igreja estão lançando mão de vários recursos para ornamentar o culto a Deus. Nada contra a sofisticação, a ousadia e a criatividade. Pelo contrário, creio que devemos ser criativos em nossa liturgia e exalar beleza em nossa arte – salve(m) à Estética! Minha preocupação é quando toda essa pomposidade ofusca a beleza de Deus; serve como um fim em si mesma e não como uma ferramenta que aponta o mais formoso dentre os homens - a beleza das artes pelas artes e não a beleza das artes para Deus. Fico a me perguntar se nesses grandes movimentos gospel a adoração das pessoas é uma resposta à beleza de Cr...

Comentário do Salmo 123

Salmo 123 A ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus. Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nosso olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que ele tenha misericórdia de nós. Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Já estamos cansados de tanto desprezo. Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos e do desprezo dos arrogantes. O salmo 123 está contado entre os poemas de subidas que vai do salmo 120 ao salmo 134. Essa parte do saltério é também conhecida como cânticos de romagem/romaria, cânticos dos degraus ou cânticos de peregrinação. Quer sejam poemas cantados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém, quando subiam para o Templo na época das festas sagradas como dizem alguns; quer sejam cânticos cantados pelos exilados que voltavam da Babilônia a Jerusalém ou cantados pelos levitas sobre os quinze degraus que levavam ao Templo como dizem ...

SEDE DE INTIMIDADE

Aquilo que o ser humano tem de mais precioso é a sua intimidade. A alma e o corpo despidos, as expressões de prazer, o rosto sem maquiagem, as roupas de dormir, esquisitices que não se atrevem a sair pelas portas de casa. Tudo isso é raro e exige um processo gradual para penetrá-lo. Isso, e mais alguns pormenores, o casal que se ama compartilha – é o tesouro que só o cônjuge explora; a coroa que veste bem aquele que fez por onde conquistar; regiões que só quem ama tem acesso. Infelizmente a mídia tem vulgarizado, barateado esse valor. Nunca foi tão fácil, como em nossos dias, invadir a privacidade de alguém, descobrir seu corpo, impurezas, desejos, virtudes, defeitos, enfim, aquilo que lhe torna único. Estão aí os reality shows que deixam os espectadores boquiabertos diante da TV quase entrando pela “fechadura virtual”; a revista playboy disfarçada da expressão glamurosa “nu artístico”; revistas que abrem as portas das mansões de vaidosos exibindo suas coleções de sapatos e chapéus; um...

Quem tem olhos para ver veja!

“Se podes olhar vê. Se podes ver repara” é a epigrafe do livro de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, que para mim é uma parábola contundente da pós-modernidade, uma metáfora pertinente dos indivíduos que perderam a visão. O livro desenha o estado deplorável em que chega uma sociedade quando um tipo de cegueira toma conta do povo: a luta pela sobrevivência, o estado de bicho, o egoísmo, a intolerância, a exclusão. Trata da opressão que sofrem aqueles que cegaram daqueles ainda por cegar; da hierarquia entre os cegos construída pela lei do mais forte e o pavor que separa os cegos dos não cegos! Foi impossível ler o livro e não ver o retrato dos nossos dias: gente que se esbarra, mas não se toca; vê, mas não repara; pessoas que caminham num breu em plena luz do dia preocupadas apenas com suas vaidades e enfeitiçadas pela cantilena “cada um por si e Deus por todos!”. Penso que nossa sociedade cegou e, a não ser que um tipo de colírio nos salve, estamos fadados à decadência! Na cura de...

No afã de provar o seu amor a Deus o homem deixa de provar o amor gratuito de Deus!

Deixa o Pai te amar Correria atrás do vento Pra ganhar um pouco mais Planta, colhe, junta sempre... Nem o Globo satisfaz! Minha alma, o tempo urge E de fugir é seu viver Mas tua vida, amiga, é outra: Sossegar nas mãos de Deus! Deixa o amor de Deus se aproximar Para, cala e sente o seu olhar És o bem amado seu Alvo da paixão de Deus Deixa o Pai querido te abraçar Nada mais precioso a procurar Segue o teu caminho e goza o bem Não há nada a fazer Pra ganhar o seu favor Deixa o Pai querido te abraçar O prazer é cultuado Ser feliz e nada mais Ser querido a qualquer preço É a demanda secular! Minha alma, o mundo pesa E de pesar é seu viver Mas tua vida, amiga, é outra: Pela Graça salva ser!

"Nossa alma andará inquieta até um dia encontrar repouso em Ti". (Santo Agostinho)

Enseada do Desejo Nas vielas da alma vai errante o mortal confundido no desejo embotado no saber tudo come, tudo bebe e em jejum está o ser! Alça vôo rasteiro pro infinito alcançar e se casa com estrelas distraído no olhar tudo compra, tudo guarda e falida a alma está! Somos todos atraídos pelo Imã do Amor – o motivo dessa Busca que não tem outro Fim Perderemos toda a força se outro rio nos levar se na Foz da Vida nossa vida não desaguar A saudade da Pousada nos instiga a navegar Cristo já traçou o Mapa e o Caminho Ele se fez Se olharmos em suas faces terra à vista vamos ter: a Enseada do Desejo de todos nós!

Lógico: para um Deus indizível, impronunciável, incategorizável, amor pródigo e graça desmedida!

Esdrúxulo Lógico! O sentimento divino trai a Lógica: Rasga o espaço e o tempo – Metafísica E se mistura com a raça de homens Sórdidos Cúmplice. Come e bebe à mesa com os Trôpegos Vive de um jeito bonito e Poético Fala e cura e vê com amor Inédito! O Amor de Deus é pródigo E rima rico no perdão A sua Graça é ilógica E se antecipa a toda ação! Lúgubre: Sente o cheiro da morte em Getsêmani Sofre traição, abandono e bebe o Cálice! Morre na cruz o Senhor da vida. Trágico! Cômico! Quem lamentou sua morte riu por Último Pois no domingo da Páscoa veio Incólume Cristo estancou de uma vez da morte o Tráfego!

A fé que caminha mesmo no escuro de evidências, na ausência de manifestações; a fé onde Deus basta e o milagre é viver sem milagres!

Fé Quero ter fé Bem mais que os olhos podem ver Que fica em pé Na ausência de sinais Não tem por pão A evidência e a emoção E sim a voz Do Amado Mestre Fé que não fica ressentida Se seu pedido não vingou Fé que confia no caráter de Deus Fé que acredita contra as provas Que o Pai habita entre nós E que enxerga o seu amor Mesmo quando não há luz É bom saber Que em todo tempo Estás comigo, Senhor! Nem mal, nem dor Nem sombra-morte Vai me afastar de Ti, Jesus!

O QUE VIBRA EM MIM

Eu sei desse calafrio na minha alma que põe tudo em arrepio os meus poros dilata acelera o meu pulso incha as minhas veias e adestra os meus pés para o percurso Sei da ebulição nas minhas entranhas que evapora à eternidade que com nada menor se satisfaz e por me deixar descontente rumo à excelência me coloca Conheço a fragrância que foge que persigo e não retenho que sopra quando e onde quer... ...esse gosto do bem que vai e volta, memoriando e recordando! Sei da sede de beleza que me faz Caeiro – o poeta das sensações – e me aproxima do vinho, do poente sol, do jasmim, da música e poesia e então só sei o que sinto... Sou desconceituado e silenciado e feliz! Tenho a ciência de quem põe a voz em mim a gritar inquieta, revoltosa, subversiva clamando por justiça e salvação Sei de quem reverbera em mim com todas as freqüências em enésimos decibéis, ondas e ecos desde o ponto atrás da primeira luz depois da linha fina do horizonte que não se vê a Enseada da soma dos desejos de todos os hom...

O Mestre da Palavra

Jesus é o mestre das palavras. Usa-as como ninguém: metáforas, parábolas, hipérboles, ironias... Ele é o próprio Verbo que estava no princípio, fez-se carne e morou entre nós! Fico admirado com as sacadas que Jesus tem nos seus encontros com as pessoas e seu discernimento quanto ao uso da palavra. No encontro com a mulher do poço Jesus usa as palavras mais adequadas: “água da vida”, “beber”, “saciar”, “sede”, e assim redireciona a sede física da mulher (de água e de intimidade) para a sede espiritual. No capítulo 6 de João o Mestre usa as palavras “fome”, “pão”, “comida” quando o interesse da multidão era o pão material. Assim, numa rítmica pulsante cheia de arte, Jesus conduz os ouvintes à necessidade do Pão que dá vida. Na cura de um cego de nascença (Jo 9) o Poeta Maior usa as expressões “luz do mundo”, “cegos vejam”, “...os que vêem se tornem cegos” como metáfora de uma realidade que tem outros olhos... (“o essencial é invisível aos olhos!”). Enfim, as imagens criadas por Jesus, os...

Eternidade

Eternidade Ó Eternidade que mora dentro de mim, de que era vem, qual civilização e a que horas?! Quem foi o seu fiador, por que de mim se agradou, Inquilino Atemporal? Como vai pagar o aluguel de tantos anos que nem sei? E como se não bastasse a inadimplência, a morte que me faz sentir quando minha obra imperfeita, minha vida contingente e minha caça apaixonada ficam sempre aquém do seu Ideal...! Mas, afinal de contas, quem deve a quem? Você mora em mim ou eu moro em você, Eternidade? Se eu moro em você, esse preço é muito alto: estar sempre descontente – (Você já soprou em Pessoa: “descontente é ser homem”); estar sempre caçando; cheirando esse cheiro do místico que me traz lembranças de casa, do jardim, do útero... Não, Eternidade! Sou mortal e isso não suporto! Mas se mora em mim por que essa ansiedade, a sede de transcendência, de intimidade com o Invisível...? Por que não me paga justamente? Não teria outro valor ou esse é o valor que a mim deve pagar se é que em mim habita?! Esto...