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de Bernad Bro

Que vem a ser a pedagogia de Deus? Que vem a ser senão introduzir-nos, passo a passo, em certo silêncio, no seu silêncio e num silêncio sobre nós mesmos, porque acima das perguntas e respostas, o silêncio pode exprimir a presença e o amor.

De Alain Patin, citado por Dominique Morin em "Deus existe?"

(De Alain Patin, citado por Dominique Morin em "Deus existe?) "A ausência de Deus Deus, ninguém jamais o viu, tanto melhor... senão o crente... não teria mais nada a descobrir; essa ausência funda sua liberdade, responsabilidade e alegria. Sem essa ausência, ele não teria história possível, nem evolução, nem escolha verdadeira. Para que os homens possam tornar-se atores de seu futuro, é necessário estarem livres de todao presença que se impõe... A fé não pode ser jamais repouso, convite ao sono ou droga mais ou menos doce; ela é busca, iniciativa, aventura: 'Vai, parte para a terra que eu te indicarei'. Esse é, para sempre, o apelo dirigido a Abraão, o pai dos crentes."

Rainer Maria Rilker em "Cartas do poeta sobre a vida" - Ed Martins Fontes

Sempre se esquece que o filósofo, tal como o poeta, é o portador de futuros entre nós e pode contar menos do que os outros com a participação de sua época. Filósofos e poetas são contemporâneos de pessoas de um futuro longínquo e, tão logo prescindam de agitar seu vizinho, não têm motivo algum para criar ordens e tirar conclusões em seu desenvolvimento, exceto aquelas compilações sistemáticas que lhes são necessárias para uma visão geral de sua situação e que, no entanto, são sempre destruídas de novo por eles mesmos em benefício de seu próprio progresso interior. Tão logo sua conquista seja sistematizada e expressa em palavras, e alunos, discípulos e amigos se alinhem em favor dela e inimigos se precipitem contra ela, o filósofo não tem mais o direito de sacudir os fundamentos do sistema doravante habitado e de pôr em risco os milhares de indivíduos que tiram sustento dele. Ele obstruiu seu próprio progresso implacável, que talvez pudesse se erguer apenas sobre as ruínas dessa ordem; ...

Uma oração de Patxi Loide, citada por José María Mardones.

Tu, que brotas dentro de mim como uma fonte que não nasce de mim, porém que me molha e me rega. Tu, que brilhas dentro de mim como uma luz que eu não acendo, porém que ilumina minha sala de estar. Tu, que amas dentro de mim como uma chama que não é minha fogueira, porém que põe fogo em todo o meu ser. Tu, silêncio íntimo, que não falas, porém que sem palavras colocas em minha vida a palavra que dá vida ao mundo. Tu, confidente invisível, diálogo, companhia permanente, que me tiras do anonimato das coisas e me fazes ser eu.

Citação de S. Ireneu de Lião no livro "Recuperar a Salvação", de Andrés Queiruga

Se alguém perguntasse: "por acaso, Deus não poderia ter feito o homem, desde o princípio, perfeito?", seria bom que soubesse que, em relação a Deus, que é ingênito e imutável, tudo é possível; mas quanto a suas criaturas, precisamente porque tiveram início num tempo determinado, eram inferiores ao Criador (...). A mãe poderia subministrar alimento sólido ao bebê, mas este não seria capaz de digeri-lo, por se o alimento mais forte do que ele. Assim Deus poderia ter dado a perfeição ao ser humano desde o princípio, mas este não teria sido capaz de recebê-la. Por isso nosso Senhor, nos últimos tempos, recapitulando tudo em si mesmo, veio ao nosso encontro, mas como nós podíamos vê-lo. Ele poderia ter vindo até nós em sua glória indescritível, mas senso assim não poderíamos ter suportado o peso de sua majestade. Por isso, aquele que era o Pão perfeito do Pai apresentou-se-nos como a crianças. Em sua segunda vinda à natureza humana, apresentou-se como leite, a fim de que, alimenta...

Meia Verdade

Toda palavra que diz sobre Deus Não fala tudo o que quer dizer Tanta verdade que pensa Deus É meia-verdade, sempre aquém... Todos os versos de uma canção Não saberão dizer seu Nome Muita ciência não vai definir O Deus que está pra além de deus O meu silêncio é minha fé Em um Ser livre e indomável Feito pássaro selvagem Que voa, voa... Minha oração é minha fé Que insiste crer que do outro lado Existe Alguém que me ouve Ouve, ouve... E está além das palavras Para além de um outro lado Por escolha amorosa Está dentro de mim! Com reverência se diz seu Nome Como quem sabe frágil o saber E pela graça vai com alegria Diante dele e o chama de Pai. Márcio Cardoso

Um nome de Deus

Este desejo em mim que não sossega É grandeza e não tem nome Nasceu comigo, mas vem de muitas eras Atrás da linha do horizonte Companheira que é saudade Uma ausência que é presença Ah, desejo... meu suspiro e devoção Este desejo em mim que não me larga Fala muito qual o silêncio Emudece os meus lábios feito à morte – O hiato de quem vive – Parte de mim que já se foi A metade que não vai Ah, desejo... meu fôlego e fé Meu desejo diz mais que palavras É o melhor da minha oração Já traduziu o que a letra matou No meu gemido o Pai discerniu Ah, desejo... um nome de Deus Márcio Cardoso

"Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa

"Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender."

O Vazio (Canção para minha Déia)

Antes de você meu vazio era tal sem tamanho e além onde mora o irreal Um vazio de alguém sem lembranças e tez um vazio do vão devaneio talvez... Depois de você cada vez que se vai meu vazio eu sei seus contornos e ais Tem nome, cor e cheiro consistente e verdadeiro meu vazio fica cheio da ausência de você!

Citando Lord Alfred Tennyson

Não temos nada além da fé: não conhecemos, pois o conhecimento vem das coisas que vemos; e, contudo, confiamos que ele vem de ti, uma luz na escuridão; deixe-a crescer. Deixe o conhecimento crescer mais e mais, mas não mais do que se prolonga a reverência em nós; que a mente e a alma, trabalhando juntas, possam fazer uma música como a de antes, mas que seja ainda maior."

Citando Martin Buber

"...Eu não sou capaz de dar uma explicação suficientemente perfeita; não é uma questão de falta de habilidade, da minha parte, de pensar, mas uma característica peculiar e real da minha relação com quem confio ou com o que acredito ser verdadeiro. É uma relação que, por sua natureza, não está baseada em 'razões'... É claro que pode haver razões que a impulsionem, porém elas nunca serão suficientes para justificar a minha fé... A minha racionalidade, o meu poder racional de pensamento, são apenas parte, uma função particular da minha natureza; no entanto, nos momentos em que 'acredito'.. . todo o meu ser se envolve, a totalidade da minha natureza entra no processo e, na verdade, isso se faz possível apenas porque o relacionamento de fé é um relacionamento ao qual o meu ser se entrega por completo. Mas, neste sentido, a totalidade pessoal apenas pode se envolver por completo se a função integral do pensamento, sem qualquer tipo de resistência, também se envolver......

Para quem tem certeza absoluta que tem toda certeza

A pretensão de uma fé absoluta, que não dá espaço para dúvidas, fechada, esfomeada por certezas é no mínimo ingênua. Compartilho com vocês alguns problemas relativos ao conhecimento e à crença por Brian McLaren em seu livro Em busca de uma fé que faz sentido. 1. Você já esqueceu alguma coisa – um encontro, um aniversário importante, um objeto em uma loja, onde você deixou a carteira ou as chaves? Você já sofreu algum acidente de carro cuja culpa foi sua – por conta de um lapso de atenção ou de julgamento? Se a sua mente é capaz de ter lapsos relevantes de memória ou de ser responsável por acidentes sérios, como você acha que pode confiar nela? 2. Você acha possível estar tão fora de si que todos percebem, menos você? Você acha possível que todo mundo esteja apenas brincando com você, fingindo que vocÊ é normal, mas na verdade você está totalmente fora da realidade? Ou talvez sonhando. Talvez você seja uma personagem de sonho de alguém, e aí é lógico, que tudo isso parece rea...

Soneto da Prece

Meus olhos distraídos e cansados repousam sobre a graça de Deus Meus lábios traídos por fonemas emudecem, ao mistério fazem jus... Diante do Eterno e do Amigo palavra não se faz obrigação silêncio não irrita, nem apressa o encontro que já é adoração Pensamento e coração fazem prece suspiro e murmúrio, oração respiro a companhia do sagrado ouço a Voz do Pai há muito declarada que ressoa em meu peito e consciência: "você é meu filho amado!" Márcio Cardoso

"Variação" (Márcio Cardoso) - Música nova!

Às vezes me sinto qual despedida Hiato entre o sim e o talvez Às vezes me sinto feito saudade Um cheiro de vida e adeus Às vezes me sinto nublado e frio Ora completo, ora vazio Sou dias de flores, de sóis, de amores Às vezes somente um nó! Às vezes sou festa, sou dança e canção Ora se cala o meu coração Mas todas as vezes, sem variação Eu sou querido de Deus! Às vezes sou pedra, coluna e rio Ora incerteza, vexame e arrepio Mas todas as vezes, de graça e paixão Eu sou amado de Deus Eu sou um filho de Deus

Linhas do livro "Trem nuturno para Lisboa", de Pascal Mercier.

"Ela riu [ao telefone] como ele nunca a havia escutado rir, sem aquele jeito de princesa. Foi uma risada contagiante e ele também riu, surpreso com a leveza inaudita, para ele desconhecida, da sua risada. Riram em uníssono durante um instante, um provocando o riso do outro, continuamente rindo, o motivo não importava, só o riso, era como andar de trem, como a sensação de rodas sobre trilhos, um ruído carregado de aconchego e de futuro, que ele desejou que nunca mais acabasse."

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta, Mas só deixava passar Meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, Porque a meia pessoa que entrava Só trazia o perfil de meia verdade, E a sua segunda metade Voltava igualmente com meios perfis E os meios perfis não coincidiam verdade... Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta, Chegaram ao lugar luminoso Onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades Diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela E carecia optar. Cada um optou conforme Seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Programa Plataforma

Indico com paixão o site do PLATAFORMA! O PLATAFORMA é um espaço generoso para músicos cristãos que não têm a mega estrutura de uma gravadora ou igreja. O cenário musical evangélico não é apenas isso que vemos e ouvimos nas grandes mídias. Quem visita o PLATAFORMA têm acesso a outras linguagens, abordangens, estilos... outro jeito de falar da fé! O Reino de Deus conta com a nossa diversidade, e o PLATAFORMA tem sido um veículo para garimpar o que estava escondio para muitos! O programa é muito bem gravado, áudio, vídeo, fotografia, maquiagem... o pessoal faz com excelência! Quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir acesse www.plataforma.art.br e sirva-se de beleza!

Um recorte de Pascal Mercier em o TREM NOTURNO PARA LISBOA - Ed. Record.

O que eu parecia e mostrava ser – pensei – nunca o havia sido, nem um único minuto da minha vida. Não o havia sido na escola, nem na universidade, nem no consultório. Será que com os outros acontecia o mesmo? Será que ninguém se reconhece no seu exterior? Será que a imagem refletida lhes parece um cenário de deformações grosseiras? Será que se apercebem com horror de um abismo que se abre entre a percepção que os outros têm deles e a forma como eles se veem? Que a intimidade interior e a intimidade exterior podem se afastar de tal maneira que acaba por tornar-se quase impossível considerá-las com intimidade com o mesmo ser? A distância em relação aos outros para a qual nos transporta essa consciência torna-se ainda maior quando compreendemos que a nossa imagem exterior não surge aos outros como aos nossos próprio olhos. Não vemos as pessoas como vemos casas, árvores ou estrelas. Vemo-las na expectativa de as encontrarmos de uma determinada maneira, transformando-as, assim, em um pedaço...