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Rainer Maria Rilker em "Cartas do poeta sobre a vida" - Ed Martins Fontes


Sempre se esquece que o filósofo, tal como o poeta, é o portador de futuros entre nós e pode contar menos do que os outros com a participação de sua época. Filósofos e poetas são contemporâneos de pessoas de um futuro longínquo e, tão logo prescindam de agitar seu vizinho, não têm motivo algum para criar ordens e tirar conclusões em seu desenvolvimento, exceto aquelas compilações sistemáticas que lhes são necessárias para uma visão geral de sua situação e que, no entanto, são sempre destruídas de novo por eles mesmos em benefício de seu próprio progresso interior. Tão logo sua conquista seja sistematizada e expressa em palavras, e alunos, discípulos e amigos se alinhem em favor dela e inimigos se precipitem contra ela, o filósofo não tem mais o direito de sacudir os fundamentos do sistema doravante habitado e de pôr em risco os milhares de indivíduos que tiram sustento dele. Ele obstruiu seu próprio progresso implacável, que talvez pudesse se erguer apenas sobre as ruínas dessa ordem; e aquele que ainda ontem era o senhor ilimitado de seu mil desenvolvimentos e podia se entregar regiamente a cada nuança de sua vontade é agora apenas supremo criado de um sistema que a cada dia fica maior que seu fundador. Filósofos deveriam ser pacientes e esperar, e não querer fundar uma soberania, nem um reino que se mantenha com os meios de seu tempo. Eles são os reis do vindouro, e suas coroas ainda são unas com os minérios que enchem as veias das montanhas...

O fato é que as pessoas mais progressistas dão coisas ao futuro e por isso devem ser duras com o presente; elas não têm pão para os famintos – por mais que assim lhes pareça... elas têm pedras, que aos contemporâneos parecem ser pão e alimento, mas que no fundo servirão de alicerce para os dias vindouros, algo que elas não devem dar de presente. Pense na liberdade infinita do indivíduo sem fama e desconhecido; é essa liberdade que o filósofo deve conservar para si; ele pode ser uma pessoa nova todo dia, um refutador de si mesmo.

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Comentário do Salmo 123

Salmo 123

A ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.
Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor
e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora,
também os nosso olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus,
esperando que ele tenha misericórdia de nós.
Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós!
Já estamos cansados de tanto desprezo.
Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos
e do desprezo dos arrogantes.

O salmo 123 está contado entre os poemas de subidas que vai do salmo 120 ao salmo 134. Essa parte do saltério é também conhecida como cânticos de romagem/romaria, cânticos dos degraus ou cânticos de peregrinação.
Quer sejam poemas cantados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém, quando subiam para o Templo na época das festas sagradas como dizem alguns; quer sejam cânticos cantados pelos exilados que voltavam da Babilônia a Jerusalém ou cantados pelos levitas sobre os quinze degraus que levavam ao Templo como dizem outros; ou…

“Pois nele vivemos, nos movemos e existimos.”

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