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Citação de S. Ireneu de Lião no livro "Recuperar a Salvação", de Andrés Queiruga

Se alguém perguntasse: "por acaso, Deus não poderia ter feito o homem, desde o princípio, perfeito?", seria bom que soubesse que, em relação a Deus, que é ingênito e imutável, tudo é possível; mas quanto a suas criaturas, precisamente porque tiveram início num tempo determinado, eram inferiores ao Criador (...). A mãe poderia subministrar alimento sólido ao bebê, mas este não seria capaz de digeri-lo, por se o alimento mais forte do que ele. Assim Deus poderia ter dado a perfeição ao ser humano desde o princípio, mas este não teria sido capaz de recebê-la. Por isso nosso Senhor, nos últimos tempos, recapitulando tudo em si mesmo, veio ao nosso encontro, mas como nós podíamos vê-lo. Ele poderia ter vindo até nós em sua glória indescritível, mas senso assim não poderíamos ter suportado o peso de sua majestade. Por isso, aquele que era o Pão perfeito do Pai apresentou-se-nos como a crianças. Em sua segunda vinda à natureza humana, apresentou-se como leite, a fim de que, alimenta...

Meia Verdade

Toda palavra que diz sobre Deus Não fala tudo o que quer dizer Tanta verdade que pensa Deus É meia-verdade, sempre aquém... Todos os versos de uma canção Não saberão dizer seu Nome Muita ciência não vai definir O Deus que está pra além de deus O meu silêncio é minha fé Em um Ser livre e indomável Feito pássaro selvagem Que voa, voa... Minha oração é minha fé Que insiste crer que do outro lado Existe Alguém que me ouve Ouve, ouve... E está além das palavras Para além de um outro lado Por escolha amorosa Está dentro de mim! Com reverência se diz seu Nome Como quem sabe frágil o saber E pela graça vai com alegria Diante dele e o chama de Pai. Márcio Cardoso

Um nome de Deus

Este desejo em mim que não sossega É grandeza e não tem nome Nasceu comigo, mas vem de muitas eras Atrás da linha do horizonte Companheira que é saudade Uma ausência que é presença Ah, desejo... meu suspiro e devoção Este desejo em mim que não me larga Fala muito qual o silêncio Emudece os meus lábios feito à morte – O hiato de quem vive – Parte de mim que já se foi A metade que não vai Ah, desejo... meu fôlego e fé Meu desejo diz mais que palavras É o melhor da minha oração Já traduziu o que a letra matou No meu gemido o Pai discerniu Ah, desejo... um nome de Deus Márcio Cardoso

"Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa

"Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender."

O Vazio (Canção para minha Déia)

Antes de você meu vazio era tal sem tamanho e além onde mora o irreal Um vazio de alguém sem lembranças e tez um vazio do vão devaneio talvez... Depois de você cada vez que se vai meu vazio eu sei seus contornos e ais Tem nome, cor e cheiro consistente e verdadeiro meu vazio fica cheio da ausência de você!

Citando Lord Alfred Tennyson

Não temos nada além da fé: não conhecemos, pois o conhecimento vem das coisas que vemos; e, contudo, confiamos que ele vem de ti, uma luz na escuridão; deixe-a crescer. Deixe o conhecimento crescer mais e mais, mas não mais do que se prolonga a reverência em nós; que a mente e a alma, trabalhando juntas, possam fazer uma música como a de antes, mas que seja ainda maior."

Citando Martin Buber

"...Eu não sou capaz de dar uma explicação suficientemente perfeita; não é uma questão de falta de habilidade, da minha parte, de pensar, mas uma característica peculiar e real da minha relação com quem confio ou com o que acredito ser verdadeiro. É uma relação que, por sua natureza, não está baseada em 'razões'... É claro que pode haver razões que a impulsionem, porém elas nunca serão suficientes para justificar a minha fé... A minha racionalidade, o meu poder racional de pensamento, são apenas parte, uma função particular da minha natureza; no entanto, nos momentos em que 'acredito'.. . todo o meu ser se envolve, a totalidade da minha natureza entra no processo e, na verdade, isso se faz possível apenas porque o relacionamento de fé é um relacionamento ao qual o meu ser se entrega por completo. Mas, neste sentido, a totalidade pessoal apenas pode se envolver por completo se a função integral do pensamento, sem qualquer tipo de resistência, também se envolver......

Para quem tem certeza absoluta que tem toda certeza

A pretensão de uma fé absoluta, que não dá espaço para dúvidas, fechada, esfomeada por certezas é no mínimo ingênua. Compartilho com vocês alguns problemas relativos ao conhecimento e à crença por Brian McLaren em seu livro Em busca de uma fé que faz sentido. 1. Você já esqueceu alguma coisa – um encontro, um aniversário importante, um objeto em uma loja, onde você deixou a carteira ou as chaves? Você já sofreu algum acidente de carro cuja culpa foi sua – por conta de um lapso de atenção ou de julgamento? Se a sua mente é capaz de ter lapsos relevantes de memória ou de ser responsável por acidentes sérios, como você acha que pode confiar nela? 2. Você acha possível estar tão fora de si que todos percebem, menos você? Você acha possível que todo mundo esteja apenas brincando com você, fingindo que vocÊ é normal, mas na verdade você está totalmente fora da realidade? Ou talvez sonhando. Talvez você seja uma personagem de sonho de alguém, e aí é lógico, que tudo isso parece rea...

Soneto da Prece

Meus olhos distraídos e cansados repousam sobre a graça de Deus Meus lábios traídos por fonemas emudecem, ao mistério fazem jus... Diante do Eterno e do Amigo palavra não se faz obrigação silêncio não irrita, nem apressa o encontro que já é adoração Pensamento e coração fazem prece suspiro e murmúrio, oração respiro a companhia do sagrado ouço a Voz do Pai há muito declarada que ressoa em meu peito e consciência: "você é meu filho amado!" Márcio Cardoso

"Variação" (Márcio Cardoso) - Música nova!

Às vezes me sinto qual despedida Hiato entre o sim e o talvez Às vezes me sinto feito saudade Um cheiro de vida e adeus Às vezes me sinto nublado e frio Ora completo, ora vazio Sou dias de flores, de sóis, de amores Às vezes somente um nó! Às vezes sou festa, sou dança e canção Ora se cala o meu coração Mas todas as vezes, sem variação Eu sou querido de Deus! Às vezes sou pedra, coluna e rio Ora incerteza, vexame e arrepio Mas todas as vezes, de graça e paixão Eu sou amado de Deus Eu sou um filho de Deus

Linhas do livro "Trem nuturno para Lisboa", de Pascal Mercier.

"Ela riu [ao telefone] como ele nunca a havia escutado rir, sem aquele jeito de princesa. Foi uma risada contagiante e ele também riu, surpreso com a leveza inaudita, para ele desconhecida, da sua risada. Riram em uníssono durante um instante, um provocando o riso do outro, continuamente rindo, o motivo não importava, só o riso, era como andar de trem, como a sensação de rodas sobre trilhos, um ruído carregado de aconchego e de futuro, que ele desejou que nunca mais acabasse."

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta, Mas só deixava passar Meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, Porque a meia pessoa que entrava Só trazia o perfil de meia verdade, E a sua segunda metade Voltava igualmente com meios perfis E os meios perfis não coincidiam verdade... Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta, Chegaram ao lugar luminoso Onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades Diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela E carecia optar. Cada um optou conforme Seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Programa Plataforma

Indico com paixão o site do PLATAFORMA! O PLATAFORMA é um espaço generoso para músicos cristãos que não têm a mega estrutura de uma gravadora ou igreja. O cenário musical evangélico não é apenas isso que vemos e ouvimos nas grandes mídias. Quem visita o PLATAFORMA têm acesso a outras linguagens, abordangens, estilos... outro jeito de falar da fé! O Reino de Deus conta com a nossa diversidade, e o PLATAFORMA tem sido um veículo para garimpar o que estava escondio para muitos! O programa é muito bem gravado, áudio, vídeo, fotografia, maquiagem... o pessoal faz com excelência! Quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir acesse www.plataforma.art.br e sirva-se de beleza!

Um recorte de Pascal Mercier em o TREM NOTURNO PARA LISBOA - Ed. Record.

O que eu parecia e mostrava ser – pensei – nunca o havia sido, nem um único minuto da minha vida. Não o havia sido na escola, nem na universidade, nem no consultório. Será que com os outros acontecia o mesmo? Será que ninguém se reconhece no seu exterior? Será que a imagem refletida lhes parece um cenário de deformações grosseiras? Será que se apercebem com horror de um abismo que se abre entre a percepção que os outros têm deles e a forma como eles se veem? Que a intimidade interior e a intimidade exterior podem se afastar de tal maneira que acaba por tornar-se quase impossível considerá-las com intimidade com o mesmo ser? A distância em relação aos outros para a qual nos transporta essa consciência torna-se ainda maior quando compreendemos que a nossa imagem exterior não surge aos outros como aos nossos próprio olhos. Não vemos as pessoas como vemos casas, árvores ou estrelas. Vemo-las na expectativa de as encontrarmos de uma determinada maneira, transformando-as, assim, em um pedaço...

Um parágrafo de Muriel Barbery em "A elegância do ouriço"

A estética, se refletirmos um pouco a sério, nada mais é que a iniciação à Via da Adequação, uma espécie de Via do Samurai aplicada à intuição das formas autênticas. Todos nós temos implantado em nós o conhecimento do adequado. É ele que, a cada instante da existência, nos permite captar sua qualidade e, nessas raras ocasiões em que tudo é harmonia, desfrutá-la com a intensidade requerida. E não falo dessa espécie de beleza que é o domínio exclusivo da Arte. Os que, como eu, são inspirados pela grandeza das pequenas coisas a perseguem até no coração do não-essencial, onde, revestida de trajes cotidianos, ela brota de um certo ordenamento das coisas ordinárias e da certeza de que é como deve ser , da convicção de que é bem assim.

Mais um gole de beleza de Muriel Barbery.

“Quando fomos embora [do asilo], depois de ter beijado vovó e prometido voltar logo, minha irmão disse: ‘É, vovó parece bem instalada. Quanto ao resto... vamos nos apressar para esquecer isso bem depressa’. Não vamos fazer picuinha com o ‘apressar bem depressa’, o que seria mesquinho, e concentremo-nos na idéia: esquecer aquilo bem depressa. Ao contrário, não se deve de jeito nenhum esquecer aquilo. Não se devem esquecer os velhos de corpos estragados, os velhos que estão pertinho de uma morte em que os jovens não querem pensar (por isso confiam ao asilo o cuidado de levar seus parentes, sem escândalo nem aborrecimentos), a inexistente alegria dessas derradeiras horas que deveriam ser aproveitadas a fundo e que são padecidas no tédio, na amargura e na repetição. Não se deve esquecer que o corpo definha, que os amigos morrem, que todos nos esquecem, que o fim é solidão. Esquecer muito menos que esses velhos foram jovens, que o tempo de uma vida é irrisório, que um dia temos vinte anos e...

Um pouco de "Elegância do Ouriço", de Muriel Barbery

"... é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim , que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petitsfours da casa ladurée à sra. de Brolglie, conta a si mesma a história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma café e lê jornal, contempla-se num espelho do gênero manual de autoconvencimento; quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e, quando as pessoas passam diante da concierge [zeladora/porteira], só vêem o vazio porque ali não se reconhecem. De meu lado, suplico ao destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma...

a música de minhas férias: "É o que me interessa", de Lenine e Dudu Falcão.

Daqui desse momento do meu olhar pra fora o mundo é só miragem a sombra do futuro a sobra do passado assombram a paisagem Quem vai virar o jogo e transformar a perda em nossa recompensa quando eu olhar pro lado eu quero estar cercado só de quem me interessa Às vezes é o instante a tarde faz silêncio o vento sopra a meu favor às vezes eu pressinto e é como uma saudade de um tempo que ainda não passou Me traz o seu sossego atrasa o meu relógio acalma minha pressa me dá sua palavra sussurra em meu ouvido só o que me interessa A lógica do vento o caos do pensamento a paz na solidão a órbita do tempo a pausa do retrato a voz da intuição A curva do universo a fórmula do acaso o alcance da promessa o salto do desejo o agora e o infinito só o que me interessa