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Dialética






Dialética de um Vivo.

Sou tão confuso que o melhor de mim é o paradoxo
Tanto sei me expor à visita do Belo como à realidade do trágico –
às vezes insensível e outras empático
Convivo com as sensações e os conceitos
tento explicar o que sinto e sentir o que argumento
Numa sede desesperada do Carpe Diem e do Maranata
colho o efêmero e planto a eternidade
Uma parte de mim diz “glória”, a outra diz “misericórdia”:
sou pecador e santo, a bela e a fera, o espelho e a imagem
Sofro a dor do oprimido e torço a desgraça do opressor
quando o opressor não sou eu!
Sei ficar quieto e agitado, deprimido e alegre,
mascarado e do avesso, moribundo e príncipe
Quem serei, quem sou e fui?
Quem estou, estive e quem estarei?
Quem sentirei, senti, e quem sinto?
Sou agora, sou ontem, sou depois – sou um coletivo...
Sou assim: um misto de dialética nas minhas entranhas
gritando ensurdecedoramente
silenciosamente, estridentemente
suavemente como o cheiro que acabo de sentir...
Todos têm seus heterônimos ou um “eu todo retorcido”
Quem não os descobriu não viveu...
É virgem de alma e tem os poros entupidos
Tem muito para sentir, tem muito para ser
muito ainda pra se encontrar e dialogar!

Comentários

Felipe Fanuel disse…
Salve! Esta sua postagem tem um caráter bastante pessoal, mas sem dúvida alcança a todos nós. De fato, há quem não vê o outro lado da vida, há quem vê os dois lados convivendo juntos, e há quem não vê lado algum. Estas aporias tendem a encontrar ou ser alento. Precisamos ouvir mais esta verdade. Não somos fórmulas. Somos pessoas de carne e osso. Como no livro de Eclesiastes 3, vivemos e morremos, amamos e odiamos, enfim, somos dependentes de um tempo. Aquele tempo. Não é o chronos, isto é, o tempo quantitativo, mas o kairos, que é o tempo qualitativo. Este tempo certo nada mais é do que a vida vivida como ela é — não como deveria ser.
Mondego disse…
cara, massa... amo paradoxos e me identifiquei pra caramba... meu medo é que pareça com cultura asiática, aquelas coisas bem nova era... todo "mal" tem um "bem" dentro de si, e todo "bem" tem um "mal" .... sei lá ...
abraço cara!
Márcio Cardoso disse…
"Onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus... Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado para que seja a graça mais abundante?" (Rm 5.20 - 6.1)

Se "Dialética" for usada como pretexto para ser mal é nova era; se ela for uma espécie de raio X da minha alma verei quão grande e doce é a graça de Deus!

Um abraço, paradoxo!
Elienai disse…
Ensurdecedor! Quem te deu o direito de gritar pra todo mundo quem sou? Psiu...
Maravilha, Márcio!
E em algum ponto do infinito, os paradoxos se tocam!!!
Parabéns pelo texto!!!
Qualquer Coisa disse…
É como dizem.."O homem é assim..É, logo nega quem fora..." Muito massa o texto Márcio
Maravilhoso o texto. Fala por todos nós, mesmo que alguns não queiram admitir. E viva a Graça, maravilhosa graça, renovada a cada manhã.

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Comentário do Salmo 123

Salmo 123

A ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.
Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor
e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora,
também os nosso olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus,
esperando que ele tenha misericórdia de nós.
Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós!
Já estamos cansados de tanto desprezo.
Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos
e do desprezo dos arrogantes.

O salmo 123 está contado entre os poemas de subidas que vai do salmo 120 ao salmo 134. Essa parte do saltério é também conhecida como cânticos de romagem/romaria, cânticos dos degraus ou cânticos de peregrinação.
Quer sejam poemas cantados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém, quando subiam para o Templo na época das festas sagradas como dizem alguns; quer sejam cânticos cantados pelos exilados que voltavam da Babilônia a Jerusalém ou cantados pelos levitas sobre os quinze degraus que levavam ao Templo como dizem outros; ou…

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