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Trecho de Humano, Demasiado Humano de Nietzsche.

A linguagem como suposta ciência. – a importância da linguagem para o desenvolvimento da cultura está em que nela o homem estabeleceu um mundo próprio ao lado do outro, um lugar que ele considerou firme o bastante para, a partir dele, tirar dos eixos o mundo restante e se tornar seu senhor. Na medida em que por muito tempo acreditou nos conceitos e nomes de coisas como em verdades eternas, o homem adquiriu esse orgulho com que se ergueu acima do animal: pensou ter realmente na linguagem o conhecimento do mundo. O criador da linguagem não foi modesto a ponto de crer que dava às coisas apenas denominações, ele imaginou, isto sim, exprimir com as palavras o supremo saber sobre as coisas; de fato, a linguagem é a primeira etapa no esforço da ciência. Da crença na verdade encontrada fluíram, aqui também, as mais poderosas fontes de energia. Muito depois – somente agora – os homens começaram a ver que, em sua crença na linguagem, propagaram um erro monstruoso. Felizmente é tarde demais para que isso faça recuar o desenvolvimento da razão, que repousa nessa crença. – Também a lógica se baseia em pressupostos que não têm correspondência no mundo real; por exemplo, na pressuposição da igualdade das coisas, da identidade de uma mesma coisa em diferentes pontos do tempo: mas esta ciência surgiu da crença oposta (de que evidentemente há coisas assim no mundo real). O mesmo se dá com a matemática, que por certo não teria surgido, se desde o princípio se soubesse que na natureza não existe linha exatamente reta, nem círculo verdadeiro, nem medida absluta de grandeza.

Comentários

O, mano...
Como estás? Saudades...te visitei anteriormente aqui e não recebi respostas. Como andas? E a família? Espero que vejas o recado dessa vez. Grande abraço

Neemias
nemiasrodrigues@gmail.com

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Comentário do Salmo 123

Salmo 123

A ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.
Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor
e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora,
também os nosso olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus,
esperando que ele tenha misericórdia de nós.
Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós!
Já estamos cansados de tanto desprezo.
Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos
e do desprezo dos arrogantes.

O salmo 123 está contado entre os poemas de subidas que vai do salmo 120 ao salmo 134. Essa parte do saltério é também conhecida como cânticos de romagem/romaria, cânticos dos degraus ou cânticos de peregrinação.
Quer sejam poemas cantados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém, quando subiam para o Templo na época das festas sagradas como dizem alguns; quer sejam cânticos cantados pelos exilados que voltavam da Babilônia a Jerusalém ou cantados pelos levitas sobre os quinze degraus que levavam ao Templo como dizem outros; ou…

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