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O Vinho de Deus (canção inspirada no texto abaixo)

Cristo, o autor da vida Vida boa e abundante Faz valer à pena Cada dia, cada instante Banca o nosso vinho Que renova a esperança E a festa se prolonga Para o amor, o brinde e a dança O seu banquete é farto E todos são bem vindos O chef sugeriu: Viver é o melhor prato! E o vinho é por conta da Casa! Nossa alegria é o vinho de Deus Multiplicado, novo e bom A sua graça é o nosso alento E o nosso sorriso Nossa folia é festa nos céus O nosso vinho é o riso de Deus Nossa união é sua aposta E a sua glória

Salvação é um grande banquete oferecido por Deus onde todos são bem vindo e o melhor prato é viver!

Desde o princípio as Escrituras nos mostram um Deus que promove a vida! Não somente a vida que somente existe (nesse caso seríamos “cadáveres adiados que procriam”, para citar Fernando Pessoa). Mas a vida bem vivida! A Trindade num insight medonho cria todas as coisas, contempla a criação com reverência e se deleita com um refrão que se repete: “muito bom!”. O Jardim do Éden é palco para a festa dos céus e o homem e a mulher, o objeto de todo o amor de Deus! Muitos religiosos enxergam em Deus um estraga prazer, alguém que boicota a festa, o prazer, a gargalhada! Ensinaram para nós uma vida castrada cheia de “nãos” ao ponto de muitas vezes o indivíduo ter medo de que a simples lembrança de Deus atrapalhe seu tempo de entretenimento. Fizeram uma caricatura mais sem graça do Autor da Vida! Porém Jesus Cristo, que nos socorre das caricaturas de Deus, pode nos ajudar mais uma vez! Olho para o episódio do casamento em Caná da Galiléia e enxergo ali mais que o milagre de transformar água em v...

Todo aquele que faz a vontade do Pai é irmão de Jesus! (Mateus 12.50)

(...) alguém pode considerar-se explicitamente ateu e, contudo, ser implicitamente crente; e vice-versa: um crente explícito pode ser um ateu implícito. Que significa isto? Positivamente, uma idéia muito corrente e simples: pode haver pessoas que em sua convicção teórica neguem a Deus, mas que em sua vida, em suas atitudes e em sua conduta, o estejam afirmando. E, ao contrário, pode haver pessoas que confessem Deus com os lábios, mas que o negam com sua vida real. Uma idéia que, aliás, não tem nada de novo: "Nem todo o que diz: 'Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus", já diz o Evangelho de Mateus (7.21) (...) Mais do que negar Deus, o que muita gente nega é uma idéia de Deus ... Mas isto não significa que muitas vezes, na hora de viver, de situar-se fundo diante dos outros e de construir decisivamente a sua existência, não esteja respondendo ao chamado profundo de seu ser e, nesse chamado, a esse Deus que em teoria se vê levado a negar (...). Portanto, uma pessoa que ...

Música mais recente!

Pai de todos Pai nosso, Pai de todos Elevado além das nuvens Mas inscrito na história Aquém da glória Amaste muito Descendo à terra Dando a vida Suor e sangue A toda gente Nós teus filhos, parte dos filhos Pois são todos teus queridos, Estendemos nossos braços À tua graça Que é sem barganha Ao excluído E humilhado A toda a gente a quem amaste

Recorte de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski.

- Piedade! Por que ter piedade de mim? – berrou de súbito Marmieládov, levantando-se de braço estirado para a frente, com uma inspiração firme, como se estivesse apenas esperando tais palavras. – Porque piedade? perguntas tu. Sim! Não há por que ter piedade de mim! O que é preciso é me crucificar, me pendurar numa cruz, e não ter piedade! Mas crucifica, juiz, crucifica, e depois de crucificar tem piedade dele! E então eu mesmo te procurarei para ser crucificado, pois não é de alegria que tenho sede, mas de tristeza e lágrimas!... Pensas tu, vendeiro, que essa tua meia garrafa me trouxe prazer? Tristeza, foi tristeza que procurei no seu fundo, tristeza e lágrimas, e as provei, e encontrei; terá piedade de nós aquele que teve piedade de todos e que a todos e tudo compreendeu, Ele é o único e também o juiz Ele voltará no dia do juízo e perguntará: “Onde está a filha [prostituta] que se sacrificou por uma madrasta má e tísica, por crianças estranhas e pequenas? Onde está a filha que teve p...

Música nova!

O coração de Jesus Um coração mais humano feito de carne e suor que vê no outro a face de Deus é o clamor do universo Um coração mais modesto que não almeja poder e vê nos gestos a graça de Deus é o que deseja minha alma A exemplo de Cristo, o Homem – Deus que viveu entre nós e amou percebeu o esquecido e triste do indivíduo foi sempre a favor Não usou seu poder pra se promover foi movido por tal compaixão que entregou sua vida por todos sem fazer nenhuma distinção O coração de Jesus o carpinteiro de Nazaré pode me tornar mais sensível e orientar minha fé

Entre a palavra e o espírito

Ah que vontade que dá De expor em rima, cor e som O que diz a alma em silêncio E reverbera ensurdecedor Mas ignorado e engasgado Ah que vontade que dá De perceber a rima, a cor e o som De um dizer outro Para um jeito novo de ouvir Que acolhe terno e grato Ah que vontade que dá De abstrair a rima, a cor e o som Voar com a imaginação Suspender-me em fé E pousar em Deus

A vida eterna começa aqui e agora.

Certa vez um jovem rico, religioso, moralmente correto, dono de muitas propriedades perguntou a Jesus: “que farei de bom para alcançar a vida eterna?”. A resposta de Jesus me fez pensar que a pergunta do jovem teria sido uma pergunta sem sentido; uma pergunta fora de lugar. “Por que me perguntas acerca do que é bom. Bom só existe um. Mas se queres entrar na Vida...” Ou seja: uma boa ação que garanta favores celestiais é impensável; um ser humano muito bom para se bastar inexiste. A pergunta que o jovem faz é absurda, mas a resposta de Cristo pode lhe socorrer de uma vida religiosa, gnóstica, avarenta e escapista. “’Mas se queres entrar na Vida... ’ se é a respeito, jovem, do engajamento na Vida, de uma participação responsável no Viver, nós podemos conversar.” A questão não é alcançar a vida eterna, a questão é entrar na Vida. (“Aliás, que tal entrar na Vida não possuindo? Que tal me seguir mais leve? Venda suas propriedades e dê aos pobres!”). “Alcançar a vida eterna” como se a vida ...

A letra mata... 2 ou sobre a importância da imaginação na leitura bíblica (texto de Eugene Peterson)

O evangelho de João fala sobre Jesus Cristo: a “Palavra tornou-se carne”. A narrativa insiste e demonstra que a “palavra” não é uma abstração filosófica, nem tinta sobre pergaminho, mas, sim, uma ocorrência histórica. A Epístola de João também enfatiza a palavra física, sensorial e histórica: “... o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam – isto proclamamos a respeito da Palavra da vida” (1 Jo 1.1). A palavra de Deus foi pronunciada antes de ser escrita. Pessoas viram, tocaram e ouviram Jesus antes de escrever sobre Ele. O que caracteriza a “palavra de Deus”, acima de qualquer outra coisa, é ser falada, ter uma criatividade viva e dinâmica. A palavra de Deus escrita (scriptura) é maravilhosa, mas é também uma bênção que traz vantagens e desvantagens. Vantagens porque cada nova geração de cristãos tem acesso ao fato de que Deus fala, conhece a maneira como Ele se expressa e os resultados decorrentes dessa manifestação. A desvantagem es...

A letra mata... (um texto de Rubem Alves)

Um texto são palavras mobilizadas no papel pela química da tinta. Quando elas apareceram pela primeira vez, seu estado não era esse: mais se pareciam com pássaros selvagens, batendo as asas... O professor [teólogo-cientista] armou suas arapucas, pegou os pássaros, selecionou os que lhe interessavam e engaiolou-os com papel e tinta. Pobres palavras... Perderam a liberdade. Agora estão congeladas no tempo e no espaço. Mas depois, quando o professor [teólogo-cientista] se puser a lê-las, será a sua vez de perder a liberdade. Agora, sob o comando das palavras escritas, ele será obrigado a dizer aquilo a que elas o obrigam. A química prende as palavras no papel. Mas, no momento da leitura, a física da luz faz que elas voem do papel para os olhos, dos olhos, para a morada dos pensamentos, e daí para a boca. E o “lente” as transforma em sons. Ele as diz. Se, por acaso, pássaros diferentes passam batendo as asas, ele faz de conta que não os vê. Se ele se sente tentado a voar com eles, o texto ...

GRAÇA: FLUIR NATURAL DO AMOR DE DEUS

A Graça de Deus está para além de todas as categorias que possamos formatar. Não cabe em nossa lógica e toda palavra que possamos usar para ela corre o risco de fazê-la menor. É incondicional: não escolhe patente, sexo, condições sócio-econômicas, cor, grau de piedade, credo ou idade. Ela é porque Deus é! Deus não sabe ser de outra maneira senão gracioso; graça é a própria essência do caráter de Deus – e Deus não se anula. Concordo com Phillip Yancey quando ele diz que “graça significa que não há nada que eu possa fazer que diminua ou aumente o amor de Deus por mim”, pois amor é escolha, e Deus já escolheu me amar quando ainda eu era seu inimigo. Mais ainda: antes de me criar Ele me amou, e para isso me criou. Segundo C.S. Lewis o propósito mais nobre e primeiro para o qual o homem foi criado é para ser recipiente do amor do Criador, e não, como pensam alguns, para amar o Criador. Um Deus que se ocupasse em criar um ser para amá-lo seria pequeno, egoísta e incompleto. Deus não necessit...

O Reino dos céus está entre nós

Interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, respondeu-lhes: “A vinda do Reino de Deus não é observável. Não se poderá dizer; ‘Ei-lo aqui! Ei-lo ali! ’, pois eis que o Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17.20,21). O Reino dos céus não é simplesmente um lugar geográfico, metafísico para além da terra; ele está aqui! Ele está entre nós! O Reino dos céus está no comércio do João, No consultório da Maria, na banca da Zezé. É a Francisca fazendo bolo É a Neide servindo café O Reino está na clínica do Antônio Nas vendas do Miguel, No pescado de José... O Reino dos céus não é religioso, institucional, domesticável, ele está espalhado por toda a terra. O Reino dos céus se move de muitas formas, para todos os lados, espalhando seus valores e sinalizações. Mas para enxergar o Reino é necessário ter outros olhos (“o essencial é invisível aos olhos”). É preciso ter de volta os sentidos que uma sociedade corrompida nos tirou. É preciso exercitar novamente o toque (o abraço...

Sobre a Trindade - Leonardo Boff

A teologia restringiu-se, normalmente, à reflexão formal sobre o mistério da comunhão trinitária. Procurava-se penetrar racionalmente no sol ofuscador que é a própria essência do Deus trino. No termo desta diligência está o silêncio respeitoso. Toda falta que ultrapassar as barreiras da percepção do mistério se transforma em tagarelice e gera o sentimento de profanação do Sacrossanto. Assim é a situação humana quando confrontada com a Trindade imanente. Se não podemos nem devemos falar; podemos, entretanto, cantar e louvar. Cesse a razão, ganhe asas a imaginação. Foi assim que fizeram os místicos a quem foi dada a graça de intuírem a convivência trinitária. São três distintos, como que desembocaduras de três caudais sem margens formando um só oceano de vida e amor. São três olhares distintos constituindo uma só visão. A autodoação de um ao outro, o conúbio dos Três num só amor porduz glória e alegria sem fim. O fluxo e o refluxo, a diástole e a sístole dos divinos Três se interpenetran...

Um poema de Pablo Neruda

Sim, camarada, é hora de jardim e é hora de batalha, cada dia é sucessão de flor e sangue, nosso tempo nos entregou amarrados a regar os jasmins ou a dessangrar-nos numa rua escura, a virtude ou a dor se repartiram em zonas frias, em mordentes brasas, e não havia outra coisa que eleger, os caminhos do céu, antes tão transitados pelos santos, estão hoje povoados por especialistas. Já desapareceram os cavalos. Os heróis vão vestidos de batráquios, os espelhos vivem vazios porque a festa é sempre em outra parte, onde já não estamos convidados e há briga nas portas. Por isso este é o penúltimo chamado, o décimo sincero toque do meu sino, ao jardim, camarada, à açucena, à macieira, ao cravo intransigente, à fragrância da flor de laranjeira, e logo aos deveres da guerra. Delgada é nossa pátria e em seu despido fio de faca arde nossa bandeira delicada.

T.S. Eliot

Embora a senda seja lenta e tortuosa, Embora se crispe diante de mil temores Ao olho crédulo da juventude ela parece Uma vereda onde florescem o pirilteiro e a rosa. Esperamos que assim seja; pudéssemos sabê-lo! Pudéssemos contemplar os anos vindouros.

O Milagre da Restrição

O Milagre da Restrição Fazer milagres para Jesus não representava um desafio! O maior desafio para Cristo era não fazer milagre. Isto realmente era o Milagre. Jesus foi 100% Deus e 100% homem, como dizem os teólogos. Transformar pedra em pão, lançar-se num abismo para ser acudido, tirar água da rocha, tudo isso era possível para Jesus. Mas para Cristo não estava em questão se ele era divino, mas em sendo divino poder ser humano! Lançar mão das prerrogativas divinas como um atalho para a sua missão representava uma grande tentação para Jesus. Ele próprio enxergou assim! Segundo Philip Yancey (...) na ausência de testemunhas oculares, todos os pormenores devem ter vindo do próprio Jesus. Pelo mesmo motivo, Jesus sentiu-se obrigado a revelar aos discípulos esse momento de luta e de fraqueza pessoal. Creio que a tentação foi um conflito genuíno, não um papel que Jesus representou com um resultado predeterminado. O mesmo tentador que encontrou um ponto fatal na vulnerabilidade de Adão e de ...

UM OUTRO OLHAR PARA ADORAÇÃO

Toda confusão com relação à natureza e caráter do louvor e da adoração, na igreja evangélica brasileira, acontece por desvios teológicos. Intenções mercadológicas, sedução pelo poder, espírito messiânico, a cultura do “control c”, as letras desconectadas da vida e/ou egocêntricas, apelo forte às emoções têm origem em interpretações equivocadas das Escrituras (ou na má fé, descaradamente!). Percebo que, principalmente nos ambientes pentecostais, há muita resistência à reflexão, à razão, como se o uso da inteligência e intuição fosse prática demoníaca. Devido a isso temos vários movimentos de louvor e adoração sem fundamento e consistência, levados muito mais pelos sentimentos e sensações, do que pela Verdade do Evangelho. Vemos uma geração mais interessada em sentir a presença de Deus do que em obedecer à sua voz. O exercício do conhecimento na adoração é imprescindível. Lembremos do que Jesus disse à mulher samaritana: “Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem ; nós adoramos o que...

HORIZONTES - Uma poesia de Fernando Pessoa

Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Splendia sobre as naus da iniciação Linha severa da longínqua costa - Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstrata linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade.

A MELHOR DEFINIÇÃO SOBRE DEUS (POR ELE MESMO)

Os laboratórios da ciência são cada vez mais visitados, inflamados, instigados. Não é para menos já que o homem tem a capacidade de se superar, questiona seus paradigmas, desafia as leis e manipula a vida. Na prancheta do cientificismo tudo deve ser analisado e categorizado; tudo meticulosamente estudado, testado, aprovado, carimbado e fichado. À era do conhecimento nem Deus escapa! Não são poucos os que teimam colocar Deus num tubo de ensaio ou reduzi-lo a uma fórmula matemática; que insistem sistematizar o Criador, seus atributos, suas ações e sentimentos como se ele fosse um corpo inerte na cama de um laboratório encharcado de formol pronto para ser dissecado. Porque é necessário um discurso forte, cartesiano vale tudo em nome das convicções impressas, verdades exatas redigidas. Até fazer Deus menor! Os discursos sobre Deus são consistentes, cheios de certezas, passionais, tendenciosos, bem fundamentados na ortodoxia imutável, com todas as referências bíblicas possíveis para emudece...

Socorro

Rasguei minha boca pedindo socorro. Estavam distraídos: Engodados em seus vícios defendendo suas terras suas idéias argumentando guerreando suas guerras e o país demarcando. Intolerantes com os fracos aos gemidos, insensíveis ao sangue da chacina daltônicos Indobráveis à flor e ao amor, cientistas! Cultuavam seus deuses à sua imagem adorando a si próprios Ultra-homens com poder de fogo e glória nas mãos incapazes da ternura nos olhos e a fragilidade na cruz Expostos à vitrine compravam a moda vestiam a vaidade, esbanjavam moeda Isolavam-se uns dos outros virtualmente, amigavelmente Enchiam-se do supérfluo e do superficial e apesar do entretenimento e do ofício andavam ansiosos, vagos e vazios... Pagavam seus médicos e entorpecentes Viviam morrendo, rasgando suas bocas pedindo socorro e não os ouvia...