Pular para o conteúdo principal

Verdade ou mentira?



A vida para ser boa pede socorro à fantasia. A boa fantasia. 

Um eufemismo. Uma versão menos jornalística das relações. Sublimação. Uma aposta no amanhã. Sonhos. O imaginado. O lúdico. O superlativo. A hipérbole. Metáforas. O "era uma vez...". Dar um desconto na história do outro. Desconto na sua própria história.

Se olharmos para a vida e relações objetivamente, de maneira cartesiana, jornalística sufocamos a esperança.

Se nossas interpretações dos textos e da vida pretendem ser jornalísticas, em busca da verdade, do "real" estaremos fadados a uma história ranzinza e ácida. E a solidão.

Apologia à mentira? Pelo contrário. A favor de mais verdades. Arejar e alargar as verdades. A favor das possibilidades.

Se bem que não podemos viver sem as mentiras também. Questão de sobrevivência muitas vezes! Sejamos honestos.

Quem sabe uma proposta para sermos mais modestos ao interpretar o mundo, as relações, as versões, a história. Uma sugestão para olhar além do "real" estabelecido - mentira combinada de uma "sociedade do espetáculo". 

Olhar por trás das versões que se cristalizaram. Por trás dos fatos que nos tiranizam e intimidam nossa liberdade e coragem de ser.

Como disse Leon Tolstoi "se descreves o mundo tal qual é, não haverá em tuas palavras senão muitas mentiras e nenhuma verdade”.


Comentários

Milene disse…
Espantar-se, encantar-se, admirar-se, sobrepujar-se, esperançar-se vão além, muito além, quando colocamo-nos à caminho, NO CAMINHO...Então, " verdade ou mentira" são reveladas e compõem materiais do sentir e expressar.

Postagens mais visitadas deste blog

A Inveja da Morte

"A inveja da Morte" faz parte de um Pocket show autora que chamei de Poema Musical "O Amor em 5 atos". Essa obra canta algumas das estações de um relacionamento que vai desde a paixão, encontra a maturidade, enfrenta o medo da morte, passa pelos desencontros e celebra o objeto de amor. Em meu canal do YouTube você pode assistir as outras canções. Espero que goste! https://www.youtube.com/watch?v=24Kl-H5_mWI

Sobre versões originais a respeito de Deus.

Percebi algo na relação fãs - artistas que reflete a tendência da grande maioria de cristalizar conhecimento, congelar versões e endeusar dogmas. A primeira versão de um intérprete/cantor é recebida como "versão original" - o que já é uma sina. Para os fãs essa versão é incorrigível, definitiva e insuperável. Mas não somente a versão que por vir a fazer um outro intérprete da mesma obra é mal vinda. Se o mesmo intérprete ousa fazer uma nova gravação de sua versão original, variando no andamento , melodia, frases rítmicas os fãs o criticam. O que acontece? Os fãs se afeiçoam de tal maneira à "versão original", que ousam limitar a cosmovisão, a imaginação e liberdade do artista! É quando a obra fica maior do que o artista, negativamente falando! Ora, não peça a um artista que ele reproduza, que seja um genérico de si mesmo. Uma ofensa imperdoável. Penso que essa tendência também se evidencia nas relações: "eu não te conheci assim!", "você mud...

Recorte de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski.

- Piedade! Por que ter piedade de mim? – berrou de súbito Marmieládov, levantando-se de braço estirado para a frente, com uma inspiração firme, como se estivesse apenas esperando tais palavras. – Porque piedade? perguntas tu. Sim! Não há por que ter piedade de mim! O que é preciso é me crucificar, me pendurar numa cruz, e não ter piedade! Mas crucifica, juiz, crucifica, e depois de crucificar tem piedade dele! E então eu mesmo te procurarei para ser crucificado, pois não é de alegria que tenho sede, mas de tristeza e lágrimas!... Pensas tu, vendeiro, que essa tua meia garrafa me trouxe prazer? Tristeza, foi tristeza que procurei no seu fundo, tristeza e lágrimas, e as provei, e encontrei; terá piedade de nós aquele que teve piedade de todos e que a todos e tudo compreendeu, Ele é o único e também o juiz Ele voltará no dia do juízo e perguntará: “Onde está a filha [prostituta] que se sacrificou por uma madrasta má e tísica, por crianças estranhas e pequenas? Onde está a filha que teve p...