Pular para o conteúdo principal

Arejada


É preciso deixar morrer

O corpo que pede para descansar

É preciso se despedir daquilo que “já foi”

Sem nostalgias e culpas...

Dentro em mim muitos Eus já morreram

Muitas existências se despediram

Incluindo as possibilidades de ser

E as frustrações do não ser

Restaram as suas memórias...

Eu sou aquilo que eu não sou mais

A sombra do que era

O Velho foi humilde e deu lugar

O Novo foi ambicioso e assumiu

Eu já não sou aquele que era

Eu sou o que ainda não se foi

Arejada a minha caixa de entidade


Márcio Cardoso


Comentários

Suy Ellen Rose disse…
Massa li essa semana a frase:"Nós n somos o que gostariamos de ser.Nós n somos o que ainda iremos ser.Mas, graças a Deus, Não somos mais quem nós eramo"mMrtin Luther King

Lindo texto Marcio...

Postagens mais visitadas deste blog

A Inveja da Morte

"A inveja da Morte" faz parte de um Pocket show autora que chamei de Poema Musical "O Amor em 5 atos". Essa obra canta algumas das estações de um relacionamento que vai desde a paixão, encontra a maturidade, enfrenta o medo da morte, passa pelos desencontros e celebra o objeto de amor. Em meu canal do YouTube você pode assistir as outras canções. Espero que goste! https://www.youtube.com/watch?v=24Kl-H5_mWI

Sobre versões originais a respeito de Deus.

Percebi algo na relação fãs - artistas que reflete a tendência da grande maioria de cristalizar conhecimento, congelar versões e endeusar dogmas. A primeira versão de um intérprete/cantor é recebida como "versão original" - o que já é uma sina. Para os fãs essa versão é incorrigível, definitiva e insuperável. Mas não somente a versão que por vir a fazer um outro intérprete da mesma obra é mal vinda. Se o mesmo intérprete ousa fazer uma nova gravação de sua versão original, variando no andamento , melodia, frases rítmicas os fãs o criticam. O que acontece? Os fãs se afeiçoam de tal maneira à "versão original", que ousam limitar a cosmovisão, a imaginação e liberdade do artista! É quando a obra fica maior do que o artista, negativamente falando! Ora, não peça a um artista que ele reproduza, que seja um genérico de si mesmo. Uma ofensa imperdoável. Penso que essa tendência também se evidencia nas relações: "eu não te conheci assim!", "você mud...

Recorte de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski.

- Piedade! Por que ter piedade de mim? – berrou de súbito Marmieládov, levantando-se de braço estirado para a frente, com uma inspiração firme, como se estivesse apenas esperando tais palavras. – Porque piedade? perguntas tu. Sim! Não há por que ter piedade de mim! O que é preciso é me crucificar, me pendurar numa cruz, e não ter piedade! Mas crucifica, juiz, crucifica, e depois de crucificar tem piedade dele! E então eu mesmo te procurarei para ser crucificado, pois não é de alegria que tenho sede, mas de tristeza e lágrimas!... Pensas tu, vendeiro, que essa tua meia garrafa me trouxe prazer? Tristeza, foi tristeza que procurei no seu fundo, tristeza e lágrimas, e as provei, e encontrei; terá piedade de nós aquele que teve piedade de todos e que a todos e tudo compreendeu, Ele é o único e também o juiz Ele voltará no dia do juízo e perguntará: “Onde está a filha [prostituta] que se sacrificou por uma madrasta má e tísica, por crianças estranhas e pequenas? Onde está a filha que teve p...