"Ela riu [ao telefone] como ele nunca a havia escutado rir, sem aquele jeito de princesa. Foi uma risada contagiante e ele também riu, surpreso com a leveza inaudita, para ele desconhecida, da sua risada. Riram em uníssono durante um instante, um provocando o riso do outro, continuamente rindo, o motivo não importava, só o riso, era como andar de trem, como a sensação de rodas sobre trilhos, um ruído carregado de aconchego e de futuro, que ele desejou que nunca mais acabasse."
Dialética de um Vivo. Sou tão confuso que o melhor de mim é o paradoxo Tanto sei me expor à visita do Belo como à realidade do trágico – às vezes insensível e outras empático Convivo com as sensações e os conceitos tento explicar o que sinto e sentir o que argumento Numa sede desesperada do Carpe Diem e do Maranata colho o efêmero e planto a eternidade Uma parte de mim diz “glória”, a outra diz “misericórdia”: sou pecador e santo, a bela e a fera, o espelho e a imagem Sofro a dor do oprimido e torço a desgraça do opressor quando o opressor não sou eu! Sei ficar quieto e agitado, deprimido e alegre, mascarado e do avesso, moribundo e príncipe Quem serei, quem sou e fui? Quem estou, estive e quem estarei? Quem sentirei, senti, e quem sinto? Sou agora, sou ontem, sou depois – sou um coletivo... Sou assim: um misto de dialética nas minhas entranhas gritando ensurdecedoramente silenciosamente, estridentemente suavemente como o cheiro que acabo de sentir... Todos têm seus heterônimos ou um “...
Comentários