O que amo quando Te amo? Não a beleza corporal, a formosura da idade, nem o fulgor da luz, tão caro a meus olhos, nem as doces melodias de cânticos de todos os tipos, nem a fragrância das flores, dos perfumes, dos aromas; nem o maná ou o mel, nem os membros tão susceptíveis aos abraços da carne. Não é isso que amo quando amo meu Deus. Amo, no entanto, em certo sentido a luz, o som, perfume, alimento, abraço de meu homem interior que mora em mim; onde refulge em minha alma uma luz que não tem limites de espaço, um espaço que não desaparece no tempo, um perfume que o vento não espalha, um sabor que o apetite não diminui, um abraço que a saciedade não desfaz. Tudo isso amo, quando amo a meu Deus. E o que é tudo isto? Perguntei à Terra e ela me respondeu: "Não sou eu". E todas as coisas que nela existem declararam o mesmo. Interroguei os mares e suas profundezas, os seres vivos que aí se movem, e responderam: "Não somos teu Deus. Procura mais acima de nós!" Disse então a tudo o que estava diante das portas de meus sentidos: "Se não são vocês, digam-me alguma coisa de meu Deus, falem-me dele". E com voz forte responderam: "É o nosso Criador!" Perguntar era minha intenção; a beleza delas era sua resposta".
Dialética de um Vivo. Sou tão confuso que o melhor de mim é o paradoxo Tanto sei me expor à visita do Belo como à realidade do trágico – às vezes insensível e outras empático Convivo com as sensações e os conceitos tento explicar o que sinto e sentir o que argumento Numa sede desesperada do Carpe Diem e do Maranata colho o efêmero e planto a eternidade Uma parte de mim diz “glória”, a outra diz “misericórdia”: sou pecador e santo, a bela e a fera, o espelho e a imagem Sofro a dor do oprimido e torço a desgraça do opressor quando o opressor não sou eu! Sei ficar quieto e agitado, deprimido e alegre, mascarado e do avesso, moribundo e príncipe Quem serei, quem sou e fui? Quem estou, estive e quem estarei? Quem sentirei, senti, e quem sinto? Sou agora, sou ontem, sou depois – sou um coletivo... Sou assim: um misto de dialética nas minhas entranhas gritando ensurdecedoramente silenciosamente, estridentemente suavemente como o cheiro que acabo de sentir... Todos têm seus heterônimos ou um “...
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