A linguagem como suposta ciência. – a importância da linguagem para o desenvolvimento da cultura está em que nela o homem estabeleceu um mundo próprio ao lado do outro, um lugar que ele considerou firme o bastante para, a partir dele, tirar dos eixos o mundo restante e se tornar seu senhor. Na medida em que por muito tempo acreditou nos conceitos e nomes de coisas como em verdades eternas, o homem adquiriu esse orgulho com que se ergueu acima do animal: pensou ter realmente na linguagem o conhecimento do mundo. O criador da linguagem não foi modesto a ponto de crer que dava às coisas apenas denominações, ele imaginou, isto sim, exprimir com as palavras o supremo saber sobre as coisas; de fato, a linguagem é a primeira etapa no esforço da ciência. Da crença na verdade encontrada fluíram, aqui também, as mais poderosas fontes de energia. Muito depois – somente agora – os homens começaram a ver que, em sua crença na linguagem, propagaram um erro monstruoso. Felizmente é tarde demais para que isso faça recuar o desenvolvimento da razão, que repousa nessa crença. – Também a lógica se baseia em pressupostos que não têm correspondência no mundo real; por exemplo, na pressuposição da igualdade das coisas, da identidade de uma mesma coisa em diferentes pontos do tempo: mas esta ciência surgiu da crença oposta (de que evidentemente há coisas assim no mundo real). O mesmo se dá com a matemática, que por certo não teria surgido, se desde o princípio se soubesse que na natureza não existe linha exatamente reta, nem círculo verdadeiro, nem medida absluta de grandeza.
Dialética de um Vivo. Sou tão confuso que o melhor de mim é o paradoxo Tanto sei me expor à visita do Belo como à realidade do trágico – às vezes insensível e outras empático Convivo com as sensações e os conceitos tento explicar o que sinto e sentir o que argumento Numa sede desesperada do Carpe Diem e do Maranata colho o efêmero e planto a eternidade Uma parte de mim diz “glória”, a outra diz “misericórdia”: sou pecador e santo, a bela e a fera, o espelho e a imagem Sofro a dor do oprimido e torço a desgraça do opressor quando o opressor não sou eu! Sei ficar quieto e agitado, deprimido e alegre, mascarado e do avesso, moribundo e príncipe Quem serei, quem sou e fui? Quem estou, estive e quem estarei? Quem sentirei, senti, e quem sinto? Sou agora, sou ontem, sou depois – sou um coletivo... Sou assim: um misto de dialética nas minhas entranhas gritando ensurdecedoramente silenciosamente, estridentemente suavemente como o cheiro que acabo de sentir... Todos têm seus heterônimos ou um “...
Comentários
Como estás? Saudades...te visitei anteriormente aqui e não recebi respostas. Como andas? E a família? Espero que vejas o recado dessa vez. Grande abraço
Neemias
nemiasrodrigues@gmail.com