Pular para o conteúdo principal

Todo aquele que faz a vontade do Pai é irmão de Jesus! (Mateus 12.50)

(...) alguém pode considerar-se explicitamente ateu e, contudo, ser implicitamente crente; e vice-versa: um crente explícito pode ser um ateu implícito. Que significa isto? Positivamente, uma idéia muito corrente e simples: pode haver pessoas que em sua convicção teórica neguem a Deus, mas que em sua vida, em suas atitudes e em sua conduta, o estejam afirmando. E, ao contrário, pode haver pessoas que confessem Deus com os lábios, mas que o negam com sua vida real.
Uma idéia que, aliás, não tem nada de novo: "Nem todo o que diz: 'Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus", já diz o Evangelho de Mateus (7.21) (...) Mais do que negar Deus, o que muita gente nega é uma idéia de Deus... Mas isto não significa que muitas vezes, na hora de viver, de situar-se fundo diante dos outros e de construir decisivamente a sua existência, não esteja respondendo ao chamado profundo de seu ser e, nesse chamado, a esse Deus que em teoria se vê levado a negar (...). Portanto, uma pessoa que no fundo de seu ser sente o chamado da justiça e dedica a vida a ela, embora teoricamente se declare atéia, definitivamente - diz [Karl] Rahner - está acolhendo a graça de Cristo e vivendo dela (...). Sem distinguir a voz de Deus e sem reconhecer o rosto de Cristo, está sendo cristão.

André Torres Queiruga em Creio em Deus Pai – o Deus de Jesus como afirmação plena do humano, ed. Paulus.

Comentários

Anônimo disse…
nossa amei esse Blog! como podemos negar aquele que nos criou, nos amou e nos comprou de volta?

somos pó mesmo! misericordia

beijos!

Postagens mais visitadas deste blog

Dialética

Dialética de um Vivo. Sou tão confuso que o melhor de mim é o paradoxo Tanto sei me expor à visita do Belo como à realidade do trágico – às vezes insensível e outras empático Convivo com as sensações e os conceitos tento explicar o que sinto e sentir o que argumento Numa sede desesperada do Carpe Diem e do Maranata colho o efêmero e planto a eternidade Uma parte de mim diz “glória”, a outra diz “misericórdia”: sou pecador e santo, a bela e a fera, o espelho e a imagem Sofro a dor do oprimido e torço a desgraça do opressor quando o opressor não sou eu! Sei ficar quieto e agitado, deprimido e alegre, mascarado e do avesso, moribundo e príncipe Quem serei, quem sou e fui? Quem estou, estive e quem estarei? Quem sentirei, senti, e quem sinto? Sou agora, sou ontem, sou depois – sou um coletivo... Sou assim: um misto de dialética nas minhas entranhas gritando ensurdecedoramente silenciosamente, estridentemente suavemente como o cheiro que acabo de sentir... Todos têm seus heterônimos ou um “...

Qual Deus? (Jean-Yves Leloup)

O que eu digo quando digo “Deus”? Cada palavra nos remete a uma experiência; trata-se de qual experiência? A experiência de Abraão? De Moisés? De Jesus?... Não se fala de Deus em lugar algum da Bíblia. Evocamos com pudor, às vezes com temor, YHWH, o Tetragrama impronuniciável que designa essa realidade, para além e para o interior dos universos, esse “Nada” do Tudo cuja Causa é Ele... Para Moisés, é um “Eu Sou”: a afirmação de uma presença, não nascida, não feita, não criada, no coração daquilo que é feito, nascido, criado, composto. Sua realidade é inconcebível e seu Nome, impronunciável. No entanto, se fizermos a experiência do nosso nada após um abandono (não ser mais nada pra alguém) ou um acidente, nós poderemos nos interrogar sobre “o Ser que nos faz ser”, que permite que participemos durante algum tempo da Vida e do seu Sopro, já que a nossa vida só depende de um sopro... Se Deus não é para nós uma experiência, uma liberdade no coração de nossos condicionamentos, uma leve brisa ...

"Variação" (Márcio Cardoso) - Música nova!

Às vezes me sinto qual despedida Hiato entre o sim e o talvez Às vezes me sinto feito saudade Um cheiro de vida e adeus Às vezes me sinto nublado e frio Ora completo, ora vazio Sou dias de flores, de sóis, de amores Às vezes somente um nó! Às vezes sou festa, sou dança e canção Ora se cala o meu coração Mas todas as vezes, sem variação Eu sou querido de Deus! Às vezes sou pedra, coluna e rio Ora incerteza, vexame e arrepio Mas todas as vezes, de graça e paixão Eu sou amado de Deus Eu sou um filho de Deus